Coronavírus “poderá ter repercussões na economia global”, alerta presidente da Fed

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal norte-americana, discursa esta tarde perante os congressistas, referiu que a instituição está a monitorizar a evolução do coronavírus. Sinalizou ainda que a política monetária atual é adequada a estimular a economia e abordou a importância de um orçamento federal sustentável no crescimento económico do longo-prazo. E fez uma revelação: o ambiente de taxas de juro baixas levou a Fed a decidir fazer uma revisão estratégica.

O presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, referiu novamente que o banco central está a seguir de perto a evolução do coronavírus. No discurso que tem preparado para ler no Congresso norte-americano, o presidente do banco central frisou que a instituição está “a monitorizar o surgimento do coronovírus, que poderá resultar em disrupções na China que poderão ter repercussões para o resto da economia global”.

No fim de janeiro, na conferência de imprensa que se seguiu à primeira reunião do Federal Open Market Committee (FOMC) de 2020, Jerome Powell já tinha referido que a Fed estava a monitorizar o coronavírus com cuidado. Hoje, di-lo-à novamente aos congressistas que são membros do House Financial Services Committee – uma espécie de Comissão de Orçamento e Finanças que existe na Assembleia da República portuguesa – aquando da apresentação do relatório semestral da Fed ao Congresso.

Jerome Powell sinalizou ainda que, por enquanto, a Fed não antecipa alterações à política monetária uma vez que está adequada a “apoiar o contínuo crescimento económico, um mercado de trabalho forte, e a inflação a voltar ao objetivo dos 2%”.

“Desde que os dados económicos se mantenham largamente consistentes com este outlook, a atual postura da política monetária será provavelmente apropriada”, vincou, sem, no entanto, deixar de referir que se o cenário económico se alterar, o banco central irá “responder adequadamente”.

Jerome Powell alertou que o ambiente atual das taxas de juro negativas poderão limitar o poder de atuação dos bancos centrais num período de arrefecimento económico porque lhes retira margem para reduzir as políticas monetárias acomodatícias, como a manutenção das baixas taxas de juro e anunciou que a Fed está a proceder a uma revisão estratégica.

O presidente da Fed lembrou que nos últimos 25 anos houve uma descida das taxas de juro “consistentes com preços estáveis e com a economia a operar em todo o seu potencial”. No entanto, atualmente, “este ambiente de taxas de juro negativas poderá limitar a habilidade de os bancos centrais reduzirem as políticas das taxas de juro baixas de forma suficiente para estimular a economia durante um período de arrefecimento económico”.

“Com esta preocupação em mente, temos conduzido uma uma revisão da estratégia da nossa política monetária, ferramentas e modos de comunicação”, revelou Jerome Powell.

Os congressistas ouvirão esta tarde um aviso de Jerome Powell sobre orçamento federal numa altura em que o documento está em fase de discussão depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ter anunciado esta segunda-feira. Neste sentido, o presidente da Fed alertou para a importância da política orçamental – leia-se, investimento público – em estimular a economia, se esta se deteriorar, num ambiente de baixas taxas de juro.

“Colocar o orçamento federal num caminho sustentável quando a economia está forte ajudaria a  garantir que os decisores políticos têm o espaço orçamental para ajudar na estabilização da economia durante um período de arrefecimento. Um orçamento federal mais sustentável também poderia estimular o crescimento da economia no longo-prazo”, concluiu Jerome Powell.

PremiumQuando os vírus assustam os mercados financeiros

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