Covid-19: Chega quer audição parlamentar urgente de Graça Freitas, acusando-a de “total incompetência”

André Ventura critica a diretora-geral de Saúde por ter revogado decisões de autoridades de saúde regionais que estipulavam quarentena obrigatória para quem entrasse em Portugal. E afirma que existe “uma certa desconfiança” quanto ao número oficial de infetados que tem sido divulgado.

Cristina Bernardo

O deputado único do Chega André Ventura entregou um requerimento na Assembleia da República para que a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, seja chamada “com a maior urgência possível” ao Parlamento, para que “possa esclarecer as decisões que tem vindo a tomar” no âmbito da pandemia da Covid-19, nomeadamente o despacho de 26 de março em que anulou decisões de autoridades de saúde regionais que tinham determinado tratamento profilático obrigatório a todos os que chegavam a Portugal vindos do estrangeiro.

Em causa está o facto de Graça Freitas ter anulado decisões tomadas pelas autoridades regionais de saúde do Norte e do Algarve que estipulavam o isolamento profilático de todos os cidadãos chegados do estrangeiro a essas regiões. A diretora-geral de Saúde exigiu fundamentação para esse tipo de quarentena obrigatória, emitindo mais tarde um despacho que revogou as determinações no sentido de restrição de circulação por parte das autoridades de saúde locais e regionais. Uma revogação que disse na quinta-feira ser “meramente temporária”, para garantir “alguma uniformidade nacional”.

Acusando a decisão de Graça Freitas de pôr “em risco e saúde de todos os portugueses”, Ventura considera-a “uma verdadeira mostra de total incompetência da diretora-geral de Saúde, que parece não saber muito bem que medidas deve tomar e quando estas devem ser tomadas”. E diz que vê “com enorme desagrado e, sobretudo, preocupação” a forma como tem conduzido a resposta de Portugal à pandemia.

“Depois de em janeiro passado ter dito que era muito reduzida a possibilidade de uma epidemia global, a diretora-geral de Saúde continua a não transmitir confiança aos portugueses com as indicações que tem dado aos profissionais de saúde, havendo ainda uma certa desconfiança quanto à veracidade dos dados que a Direção Geral de Saúde apresenta todos os dias aos portugueses e que dizem respeito ao número de mortos e infetados pela Covid-19”, diz o deputado único do Chega.

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