Covid-19: CIP exige a Bruxelas estímulo fiscal “coordenado e ambicioso”

No encontro de preparação da reunião do Conselho Europeu, que junta hoje os líderes dos 27 Estados-membros, a CIP afirmou a urgência de trazer novamente o debate sobre ‘coronabonds’ à mesa de negociações.

Cristina Bernardo

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal defende um estímulo fiscal, “coordenado e ambicioso”, a nível europeu.

Segundo um comunicado da instituição presidida por António Saraiva, “a CIP – Confederação Empresarial de Portugal defendeu ontem [dia 25 de março], na reunião que juntou parceiros sociais e Governo, a aplicação de um estímulo fiscal, coordenado e ambicioso, a nível europeu”.

“No encontro de preparação da reunião do Conselho Europeu, que junta hoje [dia 26 de março] os líderes dos 27 Estados-membros, a CIP afirmou ainda a urgência de trazer novamente o debate sobre ‘coronabonds’ à mesa de negociações”, destaca o referido comunicado.

O mesmo documento acrescenta que, “para a CIP, a Europa deve usar todos os instrumentos ao dispor, bem como os recursos financeiros disponíveis, para atacar de forma contra-cíclica esta crise”, relembrando que “é necessário agir de forma muito mais assertiva e coesa face àquela que foi a estratégia europeia de resposta à crise financeira de 2008”.

“A União Europeia deverá mostrar que aprendeu com os erros do passado, nomeadamente a sua gestão da última crise, e demonstrar que consegue agir em união, em solidariedade e dando a necessária confiança aos cidadãos europeus”, exige a CIP.

A CIP adianta que, em carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, também a Confederação Europeia de Empregadores afirma a importância deste Conselho Europeu produzir três resultados essenciais: responsabilidade, ação e solidariedade.

De acordo com o referido comunicado, “a BusinessEurope urge a concretização de um grande plano de reconversão industrial europeia que assegure a produção de bens essenciais aos Estados-membros durante o atual ciclo de pandemia, nomeadamente na cadeia produtiva do setor da saúde”, além de sugerir ainda “a reconversão ou a exploração de capacidade produtiva temporariamente inutilizada para cumprir necessidades urgentes de carência no abastecimento de produtos”.

A BusinessEuropa lembra aos decisores comunitários que “é fundamental assegurar o funcionamento do mercado interno para garantir as cadeias de valor e a distribuição de bens e serviços da qual iremos depender nas próximas semanas”, além de ressalvar que “a União Europeia não é auto-suficiente em muitas áreas e que o comércio e investimento com o resto do mundo se mantêm necessários”.

“O documento vinca também a necessidade de encontrar soluções que agilizem o transporte de mercadorias dentro das fronteiras do Mercado Único, desde logo soluções harmonizadas que evitem os bloqueios de motoristas nas fronteiras”, avança o comunicado da CIP.

Nessa carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, Pierre Gattaz, presidente da BusinessEurope, que reúne 40 confederações empresariais europeias, entre as quais a CIP – Confederação Empresarial de Portugal, “enaltece a rápida ação dos Estados-membros na aplicação de medidas que garantam liquidez às empresas”.

“No entanto, afirma também que é já notório que este apoio terá de ser estendido de forma a incluir subvenções ou subsídios que permitam apoiar empresas com modelos de negócio viáveis, severamente impactados pela atual crise, garantindo assim postos de trabalho”, conclui o comunicado da CIP.

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