CPI ao Novo Banco: Bloco quer saber o conteúdo das audiências de Cavaco com Salgado

O Bloco de Esquerda questiona se o antigo Presidente manteve contactos formais com Ricardo Salgado em 2019, pedindo ainda esclarecimentos se ao longo de 2014 manteve contactos formais com o Banco de Portugal, o Governo ou outras instituições acerca da situação do BES/GES. Questiona ainda se Cavaco Silva “recebeu donativos de membros de órgãos de administração do BES ou do GES” e “quem foram os financiadores, qual a data e o montante dos respetivos donativos”.

Cristina Bernardo

O Bloco de Esquerda quer saber o conteúdo das audiências que Cavaco Silva teve com Ricardo Salgado e outros membros da administração do BES ou do GES em 2010, bem como se manteve contactos informais com estes intervenientes. Estas são duas das questões que a deputada Mariana Mortágua vai entregar esta terça-feira à tarde no Parlamento, que o Jornal Económico teve acesso, para serem remetidas ao ex-presidente da República, que os deputados querem questionar por escrito no âmbito da Comissão de Inquérito às perdas do Novo Banco imputadas ao Fundo de Resolução que decorre no Parlamento.

“Enquanto Presidente da República, que audiências realizou desde 2010 com Ricardo Salgado, com outros membros de órgãos de administração do BES ou do GES ou com alguém em sua representação? Em que datas e qual o seu conteúdo?”, questiona a parlamentar, querendo saber se Cavaco Silva manteve contactos informais com Ricardo Salgado, com outros membros de órgãos de administração do BES ou do GES ou com alguém em sua representação, bem como se a situação do BES/GES foi abordada.

O Bloco de Esquerda quer que o antigo Presidente responda se manteve contactos formais ao longo de 2014 com o Banco de Portugal, o Governo ou outras instituições acerca da situação do BES/GES e que esclareça “em que se baseou para declarar, uma semana antes da apresentação dos prejuízos do BES no primeiro semestre de 2014, que “pela informação que tenho, o BdP tem vindo a atuar muito bem para preservar a estabilidade e solidez do nosso sistema bancário””.

Nas seis perguntas remetidas por Mariana Mortágua, é questionado se Cavaco Silva “procurou ou manteve algum tipo de contacto com instituições angolanas sobre a situação do BESA ou da garantia soberana sobre uma carteira de créditos daquele banco”.

O financiamento da campanha de Cavaco Silva volta mais uma vez ao escrutínio, com o Bloco a questionar se o antigo Presidente “recebeu donativos de membros de órgãos de administração do BES ou do GES? Quem foram os financiadores, qual a data e o montante dos respetivos donativos”.

O Bloco de Esquerda, o PS e o PCP acordaram no âmbito da comissão de inquérito em curso pedir depoimentos por escrito a Cavaco Silva, que não foi ouvido na comissão de inquérito que teve lugar em 2015.

Segundo o regulamento das CPI, Cavaco Silva não é obrigado a responder, já que está previsto que “o Presidente da República, bem como os ex-Presidentes da República por factos de que tiveram conhecimento durante o exercício das suas funções e por causa delas, têm a faculdade, querendo, de depor perante uma comissão parlamentar de inquérito, gozando nesse caso, se o preferirem, da prerrogativa de o fazer por escrito”.

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