CPLP vai criar força militar para intervenção e apoio nas catástrofes

A necessidade surgiu depois do ciclone Idai, disse o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas cabo-verdiano. Portugal está disponível para prestar apoio.

A Comunidade dos Países Africanos da Língua Portuguesa (CPLP) está a trabalhar na criação de uma força conjunta de intervenção e de apoio a situações de catástrofes na comunidade, anunciou o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA) de Cabo Verde.

Na abertura da 21ª reunião dos CEMFA, que decorre na Cidade Praia até esta quinta-feira, Anildo Morais explicou que a necessidade da criação desta força militar de apoio ficou demostrada com a recente tragédia em Moçambique provocada pelo ciclone Idai.

“Tivemos o exemplo, há bem pouco tempo, em Moçambique se o mecanismo de apoio estivesse operacionalizado, teríamos prestado maior apoio. Houve apoio de Portugal, Brasil e Angola, num primeiro momento, mas foram ações individuais, desses países, se tivéssemos tudo concluído seria mais fácil a nossa atuação”, disse

O documento que assegura a criação desta força militar “terá de ter o consenso de todos os países”, explicou Anildo Morais, que refere que, neste momento, falta apenas o apoio da Guiné Equatorial.

Espera-se que neste encontro do ramo militar sejam dados passos para a concretização da criação desta força de apoio a catástrofes na CPLP. A intenção é que os países coloquem a disposição de meios de todos os ramos das Forças Armadas: Exército, Marinha e Força Aérea.

Anildo Morais avançou ainda que durante os dois dias da reunião vão ser analisadas questões sobre a implementação do colégio militar da CPLP. “O colégio militar é um fórum extremamente importante, a primeira ação decorreu no Brasil e debruçou-se sobre o direito internacional humanitário, o próximo será em Portugal, no decorrer deste ano, e irá analisar a questão da ciber segurança”, referiu o CEMFA cabo-verdiano.

Portugal já demostrou a disponibilidade em apoiar a força militar de apoio a catástrofe nos países da CPLP, de acordo com o Almirante António Silva Ribeiro, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) português. “A criação desta força vinha sendo trabalhada em reuniões anteriores, mas a tragédia de Moçambique tornou mais urgente e premente a necessidade de se criar esse mecanismo”, assegurou.

“Portugal terá uma atuação como a dos restantes países”

“Portugal terá uma atuação como a dos restantes países, é uma organização da CPLP onde cada um contribuirá com os meios e capacidades disponíveis para acorrer incidentes naturais e catástrofes de qualquer natureza nos países. O que é importante é que se crie os mecanismos de operacionalização, por isso esta reunião poderá ser determinante na criação desta força”, disse António Silva Ribeiro.

O CEMGFA anuncio ainda, antes da reunião, que os 50 militares portugueses que se encontram a apoiar às vítimas do ciclone Idai, em Moçambique, na recuperação de infraestruturas, restabelecimentos de comunicações, apoio médico e fornecimento de alimentos e água purificada às povoações isoladas, deverão permanecer naquele país por mais um mês. “Nós vamos ficar na missão de purificação da água por mais 30 dias até a população de  Nhamatanda, distrito da província de Sofala,  ter as condições de reconstruir as infraestruturas que proporcione ter acesso a água potável” referiu.

Ler mais
Recomendadas

Justiça cabo-verdiana arquiva denúncia-crime do maior partido da oposição

A Procuradoria-Geral da República anunciou esta quinta-feira o arquivamento da denúncia-crime apresentada pelo maior partido da oposição (PAICV) contra a Câmara Municipal da Praia, que alegava “indícios de gestão danosa e irregularidades” na construção de um mercado.

Banco de Cabo Verde revê em alta crescimento económico para 2019

O novo relatório de política monetária do banco central cabo-verdiano aponta para um crescimento do PIB do país africano na ordem dos 5%.

Presidente de Cabo Verde veta lei sobre regime de execução da política criminal

Jorge Carlos Fonseca devolveu o diploma à Assembleia Nacional pela “inconstitucionalidade” de um dos artigos.
Comentários