Crédito Agrícola com subida dos lucros em 23% para 105 milhões

Apesar do aumento dos lucros, a margem financeira diminuiu 13,8 milhões de euros em termos homólogos (-5,4%), bem como as comissões líquidas que registaram uma variação de -6,1 milhões de euros (-7,8%) face ao homólogo.

No terceiro trimestre de 2019, o Grupo Crédito Agrícola apresentou um resultado líquido consolidado acumulado de 104,9 milhões de euros, para o qual o negócio bancário contribuiu com 88,6 milhões de euros.

Os resultados do Grupo Crédito Agrícola cresceram 23,3% nos primeiros nove meses do ano face ao período homólogo do ano anterior. No entanto, o banco liderado por Licínio Pina não deve os lucros à atividade core da banca. Já que em termos de composição do produto bancário, a margem financeira diminuiu 13,8 milhões de euros em termos homólogos (-5,4%), bem como as comissões líquidas que registaram uma variação de -6,1 milhões de euros (-7,8%) face ao homólogo.

A que se deve a subida de 6,1% do produto bancário para 398,6 milhões de euros? Os resultados de operações financeiras subiram 115,1% para 49,2 milhões face ao período homólogo do ano anterior. O que deverá significar venda de títulos de dívida pública, aproveitado a subida das cotações num cenário de queda dos juros. Num ano o trading somou 26,4 milhões a mais do que em setembro de 2018.

“A margem técnica do negócio segurador registou uma variação homóloga de +5,1 milhões de euros, os resultados das operações financeiras de +26,4 milhões de euros e os outros resultados de exploração de +11,6 milhões de euros, face ao período homólogo do ano transacto”, lê-se no comunicado.

A rentabilidade alcançada pelo Grupo Crédito Agrícola a setembro de 2019 (ROE de 8,4%) “espelha os resultados positivos conseguidos na globalidade das áreas de negócio do Grupo, sendo de assinalar os contributos positivos do negócio segurador, de 6,7 milhões de euros da CA Vida e de 3,5 milhões de euros da CA Seguros”, lê-se no comunicado.

A Caixa Agrícola explica ainda que nos primeiros 9 meses de 2019, os resultados registados nos veículos de desinvestimento imobiliário (nomeadamente via desvalorização de unidades de participação dos fundos de investimento imobiliário) penalizaram os resultados consolidados em 8,9 milhões de euros, valor inferior aos 10,1 milhões de euros verificados no período homólogo do ano passado.

No balanço, em 30 de Setembro de 2019, a carteira de crédito (bruto) a clientes do Grupo Crédito Agrícola ascendeu a 10,4 mil milhões de euros, uma variação positiva de 4,8% nos últimos 9 meses que supera a variação de +1,3% registada pelo conjunto das instituições financeiras em Portugal com referência a setembro de 2019. Este facto terá contribuído para o reforço de quota de mercado de crédito do Grupo Crédito Agrícola (para os 5,6%), num movimento que se verifica nos últimos 7 anos consecutivos, segundo o banco.

Em setembro de 2019, os recursos de clientes sob a forma de depósitos bancários totalizaram 14,7 mil milhões de euros, evidenciando um crescimento, em termos homólogos, de 10,6% e correspondente a 1.404 milhões de euros. O aumento de recursos de clientes em maior proporção que o aumento do crédito concedido contribuiu para a continuação da diminuição do rácio de transformação que, no final do período, ascendia a 67,5%. Em setembro de 2019, o rácio de cobertura de liquidez (LCR) no perímetro consolidado atingia os 474%.

O banco está com rácios de capital confortáveis. Com referência a 30 de setembro de 2019 e de acordo com as regras CRD IV/CRR a que se encontra sujeito, o Grupo Crédito Agrícola apresenta um rácio de common equity tier 1 (CET1) de 14,9%.

“O Crédito Agrícola, o único banco cooperativo em Portugal, é uma instituição financeira de capitais exclusivamente nacionais, presente em todo o território nacional e com a maior rede de Agências do país”, salienta a instituição.

Em termos de qualidade da carteira de crédito do Grupo Crédito Agrícola, o rácio bruto de Non Performing Loans (NPL) em Setembro de 2019 situou-se nos 9,2%, valor que compara com os 10,4% registados em  dezembro de 2018 e com os 11,1% registados em  setembro de 2018.

As imparidades de crédito acumuladas a setembro de 2019, de 452 milhões de euros, conferiam um nível de cobertura de NPL por imparidades de 44,7%.

O stock de imparidades caiu 3% num ano para 1.155 milhões e as imparidades totais do exercício somam -6,5 milhões de euros.

Em termos de eficiência o banco tem um rácio de cost-to-income (custos operacionais/produto bancário) elevado de 67,1% apesar de ter caído ligeiramente no período (-0,4 pontos percentuais).

“O Grupo CA, através da implementação de uma estratégia coordenada entre a Caixa Central e os 79 bancos regionais que o compõem, prossegue empenhado em dinamizar as economias regionais e em contribuir para a coesão social e territorial de Portugal. Fruto da sua missão de desenvolvimento regional e da sua vocação de banco de proximidade, o Grupo CA apresenta a maior rede bancária em Portugal com 654 agências, tendo, em termos líquidos, reduzido 2 agências nos últimos 12 meses”, refere o banco.

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