[weglot_switcher]

Crise política em França segue dentro de momentos

Primeiro-ministro deve passar a demissionário a 8 de setembro. O presidente Macron tem em vista vários cenários, todos eles cheios de interrogações. Tudo pode correr mal outra vez.
29 Agosto 2025, 09h06

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, irá à Assembleia Nacional no dia 8 de setembro próximo para solicitar a aprovação de uma moção de confiança que já sabe, a tantos dias de distância, que será reprovada. É que, o Partido Socialista, o França Insubmissa e o Rassemblent National (RN, de Marine Le Pen e Jordan Bardella) já asseguraram que votarão contra a moção – e até mesmo ao centro do espectro político, de onde é oriundo, Bayrou ainda não conseguiu um mínimo de unanimidade em torno do seu projeto político. Ou seja, François Bayrou passará, no dia 9 de setembro, à condição de primeiro-ministro demissionário – mantendo-se no cargo até que o presidente Emmanuel Macron encontre alguém suficientemente distraído para aceitar substituí-lo.

Encontrar um novo primeiro-ministro é apenas uma das hipóteses que Macron terá de enfrentar. Sendo uma das outras hipóteses evidentemente descartável, a sua resignação, sobrevive ainda a possibilidade de marcar novas eleições – o que pode bem ser a melhor aposta da extrema-direita, dado que o RN surge à frente de todas as sondagens que estudam as intenções de voto dos franceses.

Eleições à vista?
Para vários analistas políticos, esta é, ainda assim, a melhor opção de Macron. Por uma razão simples: era claro para todos que a formação de Le Pen e Bardella estava a deixar Bayrou governar, podendo inclusivamente estar disponível para deixar passar um Orçamento do Estado (que terá de ser apresentado até ao final do ano) que fizesse o ‘trabalho sujo’ (de restrição da despesa e aumento dos impostos), até datas bem mais próximas das presidenciais, em maio de 2027. Assim, a RN poderia apresentar-se aos franceses ‘virgem’ do ónus da imposição de um Orçamento que será contestado por todo o espectro político e que as poderosas centrais sindicais se encarregarão de ‘incendiar’, tanto no discurso político como nas ruas.

Convém recordar que Bayrou sobreviveu a várias moções de desconfiança desde a sua nomeação no final do ano passado graças às abstenções do RN ou dos socialistas. Mas os socialistas não têm qualquer perspetiva de virem a integrar um governo no curto e médio prazos, pelo que a pressão de uma nova ida às urnas está toda do lado dos extremistas de direita. É este contexto, aliás, que alimenta a remota esperança de Bayrou não ser ‘defenestrado’ já no mês que vem.

A possibilidade de Emmanuel Macron tentar encontrar um novo primeiro-ministro é outro cenário possível – sendo até para alguns analistas o mais provável. Diz a imprensa francesa que os gauleses estão fartos de eleições – tiveram a última no verão passado – e que culpam Macron por essa deriva, que começou quando o ‘macronnismo’ foi mal-tratado nas eleições para o Parlamento Europeu em junho de 2024. Mas estarão com certeza igualmente fartos de verem ‘velhos’ políticos do centro a serem lançados para a ‘fogueira’ das nomeações políticas do presidente da República, alimentando um cenário que lhes acabará por destruir-lhes a vida política. Michel Barnier foi o primeiro, François Bayrou será inevitavelmente o segundo – só faltando conhecer o nome do terceiro, que por certo terá a mesma sorte destes dois.

O senhor que se segue?
Mesmo assim, já há um candidato ao ‘cadafalso’: o ministro da Defesa, Sébastien Lecornu. Aos 39 anos, é um aliado próximo de Macron e ex-membro do partido conservador Les Républicains – uma das poucas formações políticas que esteve quase sem reservas ao lado quer de Michel Barnier, quer de Bayrou. Centrista mas suficientemente flexível para tentar pontes com quem quiser estar do outro lado das águas – mesmo que seja a extrema-direita – Lecornu pode ser a aposta certa para levar o país mais ou menos incólume até ao segundo trimestre de 2027.

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.