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Descidas no preço do leite fazem produção do setor azedar

Cerca de 70% dos produtores portugueses de leite vão ser afetados pela descida de três cêntimos por litro anunciada pelas cooperativas associadas da Lactogal a partir de 1 de janeiro. A APROLEP alerta que a redução, somada a anos de preços estagnados, coloca em risco a viabilidade económica de milhares de explorações nacionais e ameaça a sustentabilidade da produção láctea em Portugal
29 Dezembro 2025, 12h13

“A APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, entidade que representa e defende os interesses dos produtores portugueses de leite e a sustentabilidade da produção nacional, manifesta a sua profunda preocupação e indignação perante o recente anúncio das cooperativas associadas da Lactogal, que decidiram reduzir em três cêntimos por litro o preço pago ao produtor a partir de 1 de janeiro.”

Segundo a associação, “esta decisão afeta de forma imediata cerca de 70% dos produtores portugueses e poderá arrastar novas descidas por parte de outros compradores”, alertando que “o leite começa verdadeiramente a azedar no setor”.

“Estas descidas são particularmente difíceis de aceitar”, sublinha a APROLEP, “porque o preço do leite ao produtor em Portugal nunca acompanhou as subidas verificadas noutros países”. Durante anos, recorda a associação, “foi-nos dito que o nosso mercado, por ser essencialmente interno ou ibérico, não permitia aumentos”. “Usar agora a evolução negativa de outros mercados como justificação para baixar preços em Portugal revela uma enorme falta de coerência”, denuncia.

“A realidade é que os produtores portugueses vivem há vários anos no limiar da sobrevivência”, alerta a APROLEP. “Sem margem para investir, inovar ou responder às exigências crescentes em matéria de bem-estar animal, sustentabilidade ambiental e qualidade do produto, qualquer redução no preço do leite coloca em risco a viabilidade económica das explorações.” Para a associação, “cada cêntimo retirado ao produtor acelera o abandono da atividade e compromete seriamente a produção nacional de leite”.

“A perda de produtores não é apenas um problema do setor”, recorda a APROLEP. “Menos produção nacional significa maior dependência de importações, perda de emprego no meio rural, abandono do território e uma ameaça clara à soberania alimentar.” E acrescenta: “Sem um preço justo à produção, não haverá futuro para o leite português”.

“Agravando este cenário, esta descida surge num momento em que se acumulam preocupações estruturais”, sublinha a associação. “Falamos das incertezas em torno do acordo com o MERCOSUL, da proposta de reforma da PAC que aponta para uma redução de 20% das ajudas aos agricultores e do surgimento de doenças como a Dermatose Nodular Contagiosa, que já afeta países vizinhos.” Face a este contexto, “a APROLEP vai solicitar de imediato ao senhor Ministro da Agricultura uma reunião com caráter de urgência”.

Por fim, a associação deixa um apelo claro aos consumidores: “A APROLEP renova o seu apelo ao consumo de leite e produtos lácteos nacionais”. “São produtos de qualidade reconhecida, mais próximos, mais frescos e melhores para a economia portuguesa.” E conclui: “Apoiar o leite nacional é impedir que o leite azede definitivamente em Portugal”.

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