Desemprego vai ultrapassar 20% este ano em 11 concelhos. Albufeira com pior desempenho

NOVA IMS e COTEC Portugal disponibilizam, a partir desta quinta-feira, através do ‘dashboard COVID-19 Insights’, as primeiras previsões mensais do desemprego em Portugal por região e concelho. Taxa nacional deve atingir 10,2% no final do ano.

A taxa de desemprego global deverá atingir os 10,2% no final do ano, partindo do pressuposto de que não vai haver novas limitações à atividade económica. A previsão é feita pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), que integra a Universidade Nova de Lisboa, e a COTEC Portugal, que passam a disponibilizar um conjunto de previsões mensais para a taxa de desemprego em Portugal, através do dashboard COVID-19 Insights. Estas previsões encontram-se desagregadas por regiões (NUTS II) e por concelhos.

As Regiões do Algarve, Lisboa e do Norte são as que apresentam tendência negativa mais forte. O sul do país deverá fechar 2020 com 11,4% de desemprego, enquanto Lisboa e Norte deverão chegar aos 10,7% e 10,4%, respetivamente.

Em contrapartida, no Alentejo e na Região Centro, a taxa de desemprego não deverá ultrapassar a barreira dos 10%, abaixo da média nacional, é verdade, mas um valor muito alto face à realidade anterior.

O modelo Nova IMS/COTEC Portugal aponta resultados muito diferentes na performance por concelho. Se num extremo, há concelhos onde a taxa de desemprego não deverá ultrapassar os 6%, como Oleiros, Mêda, Melgaço e Ferreira do Zêzere – bastante abaixo da média nacional -, outros há onde se prevê que possa ultrapassar os 30%. Entre os 278 concelhos de Portugal continental, 11 deverão encerrar 2020 com uma taxa de desemprego superior a 20%: Mourão, Moura, Sines, Murça, Monforte, Lamego, Moimenta da Beira, Barreiro, Barrancos, Moita e Albufeira. Esta última cidade, um dos expoentes do turismo algarvio, apresenta o pior desempenho, com uma taxa de desemprego prevista na casa dos 30%.

Pedro Simões Coelho, professor catedrático da NOVA IMS e um dos coordenadores do projeto, destaca a faceta inovadora da investigação – “é a primeira vez que se constroem previsões mensais para a taxa de desemprego para todos os concelhos de Portugal continental” – e o seu carácter interativo. “O utilizador não se limita a ver uma folha estática com os dados. Pode facilmente cruzar as dimensões que mais lhe interessam, o que nos permite disponibilizar uma análise dinâmica do objeto do desemprego em Portugal em 2020”, explica.

Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC Portugal, enfatiza, por seu turno: “este modelo de previsão do desemprego permite alargar o ‘dashboard COVID-19 Insights’ passando a incluir variáveis económicas e sociais”.

O modelo econométrico desenvolvido pela NOVA IMS assenta no pressuposto de que não ocorrerão medidas de ‘lockdown’ universais na atividade económica portuguesa, hipótese tida como mais provável pelos seus especialistas. O modelo será, no entanto, reajustado caso este pressuposto se venha a verificar inverosímil em virtude de um novo confinamento, dizem os seus responsáveis.

De forma a garantir a fiabilidade das previsões produzidas, o modelo proposto pela NOVA IMS será atualizado mensalmente, com recurso a instrumentos de aprendizagem automática conjugados com as melhores técnicas de recolha, processamento e organização de dados em tempo real. “A obtenção de uma granularidade como aquela que este exercício demonstra só é possível aliando técnicas de ‘machine learning’ à econometria tradicional”, destaca a instituição. Donde, acrescenta, “se o modelo econométrico permitiu prever a taxa de desemprego até ao final do ano de 2020, foi através do recurso a algoritmos de ‘machine learning’ que se alcançou a desagregação das previsões da taxa de desemprego por região (NUTS II) e por concelho”.

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