Desenvolvimento tecnológico vai marcar segurança privada

Na lista das 10 tendências identificadas pela associação norte-americana de segurança, e que constam do seu último relatório, todas têm uma base tecnológica e metade respeitam a esta integração entre vídeo e software, com destaque para as ferramentas de reconhecimento facial.

A grande tendência que marca a evolução do sector da segurança privada é a maior utilização de novas soluções tecnológicas, nomeadamente as que têm por base a recolha e análise de dados e as que integram inteligência artificial, que vão complementar a intervenção humana, que, consideram os agentes do mercado, vai continuar a ser a peça fundamental na segurança de pessoas e bens.

“Acreditamos que a tecnologia nunca poderá substituir completamente o elemento humano, mas isto, naturalmente, sem prejuízo da necessária integração da vigilância eletrónica”, diz ao Jornal Económico (JE) Paulo Maia, presidente da AESIRF – Associação Nacional das Empresas de Segurança.

“A vertente humana é absolutamente essencial na manutenção da segurança nacional. A segurança digital tem revelado utilidade nos últimos anos, mas sempre será coadjuvada pela segurança humana”, defende Ana Reis Mota, secretária-geral da (Associação das Empresas de Segurança).
No entanto, Paulo Maia avisa que, “cada vez mais, o mercado exige soluções de segurança integradas que lhe permitam, por um lado, reduzir custos, mas, por outro, manter uma capacidade de resposta operacional realmente eficaz”, acrescenta.

Tal como aconteceu noutros sectores, a pandemia de Covid-19 funcionou como acelerador de tendências na área da segurança privada, aprofundando processos de digitalização que já estavam a acontecer, de tal forma que a cibersegurança e a segurança física convergem. Acresce que, mais do que isso, constituiu-se quase como um laboratório de teste de sistemas e de situações para a vigilância eletrónica. Isto é especialmente notório no caso do vídeo inteligente, que emergiu como uma ferramenta de reação às condicionantes impostas pela pandemia e é, de acordo com relatórios e estudos de entidades como a associação norte-americana de segurança (SIA), a empresa software para segurança física Genetec ou a empresa de videovigilância Hikvison.

Paulo Maia diz que se assiste, cada vez mais, “à procura de novas soluções tecnológicas por parte dos clientes com enfoque nos sistemas de CCTV e no controlo de acessos, tendo em vista dispensar o elemento humano, mais caro, nem sempre com os melhores resultados”.

 

Videovigilância inteligente está em ascensão
No entanto, a utilização conjunta de software e de sistemas de vídeo aparece como a principal tendência no desenvolvimento de ferramentas para a segurança de pessoas e bens, especialmente depois das experiências feitas no quadro da crise pandémica.

“Mesmo com a concretização dos programas de vacinação [contra a Covid-19] em grande escala, não podemos negar o fato de que o novo coronavírus ainda persiste” e que “as empresas têm a responsabilidade de garantir a segurança dos seus funcionários [e clientes]”, refere a revista especializada Industry Wired, explicando porque elege a tecnologia de vídeo inteligente como a primeira tendência para o sector da segurança privada. “Doravante, a única saída é seguir todos os protocolos de segurança”, através do uso da “tecnologia de vídeo inteligente”; que vai “ajudar as empresas vigiarem empregados e clientes”.

O vídeo inteligente é uma tecnologia de vídeo digital integrada com software analítico.

Na lista das 10 tendências identificadas pela SIA, e que constam do seu último relatório, todas têm uma base tecnológica e metade respeitam a esta integração entre vídeo e software, com destaque para as ferramentas de reconhecimento facial.

No mesmo documento, a capacidade de recolha e tratamento de dados em larga escala também é referenciada, juntamente com a expansão da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e na generalização dos ambientes responsivos. Em conjunto tornam-se base para soluções do tipo da análise preditiva de dados.

José Carlos Marques da Costa Dias, presidente da APSEI – Associação Portuguesa de Segurança, também identifica o mesmo tipo de tendências. “A constante evolução do setor, com soluções cada vez mais robustas por processos de Machine Learning e Inteligência Artificial, associados à proliferação de sistemas de periféricos IoT via IP, Wifi, LoRa, TUYA ou outras formas de transmissão de informação, permitem ecossistemas mais robustos, económicos, fiáveis, seguros e confortáveis”, advoga.

Destaca, entre as novas tecnologias “que têm assistido a uma procura crescente no mercado”, os sistemas de videovigilância com funcionalidades alargadas, “abrangendo, por exemplo a gestão automática da climatização, da iluminação e do volume do áudio, em função do número de presenças, permitindo gerir o número de operadores de caixa, a reposição de artigos ou desligando automaticamente a iluminação e a climatização quando o último elemento sair; a utilização de câmaras térmicas; o recurso à inteligência artificial; o aumento da utilização de equipamentos wireless, “que tornará mais fácil os serviços de manutenção remotos por parte das empresas e uma maior facilidade em manter os softwares dos sistemas atualizados”; a tecnologia touchless, “minimizando-se o toque em botões, portas e dispositivos de segurança”; os contactos de forma virtual com clientes e com o público; e as soluções para garantir a cibersegurança de equipamentos e a proteção de dados.

 

Do mundo físico para o mundo digital
Com a generalização dos processos de digitalização e com o apoio constante de sistemas informáticos, a relação entre a segurança física e a cibersegurança estreita-se e os problemas de um dos ramos passam a ser também do outro.

“Espera-se que Portugal siga as tendências globais, que se prendem com a evolução das telecomunicações e softwares, novas necessidades de segurança e a convergência entre os sistemas”, diz José Carlos Marques da Costa Dias.

Paulo Maia refere que, do ponto de vista tecnológico, acredita, ainda, que “irão emergir nos próximos anos soluções para dar resposta a uma necessidade cada vez mais premente, a da segurança da informação”.
“A cibersegurança constitui uma preocupação crescente e apresenta-se como um negócio com elevado potencial de lucro. Em Portugal, a cibersegurança está a cargo das empresas de tecnologia de informação, não oferecendo as empresas de segurança privada qualquer solução sua de raiz. Poderá passar por aqui a evolução das empresas de segurança privada em Portugal”, acrescenta.

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