Destruição em Beirute faz lembrar “cenários de Hiroshima e Nagasaki”, garante primeiro-ministro libanês

O presidente libanês Michel Aoun garantiu que existiam 2.750 toneladas de nitrato de amónio armazenadas no porto de Beirute e prometeu que os responsáveis “vão pagar o preço”.

REUTERS/ Issam Abdallah

As explosões em Beirute desta terça-feira provocaram 100 mortos e fizeram quase 4 mil feridos, um número que ser agravado nas próximas horas de acordo com as previsões das autoridades libanesas citadas pela ‘Reuters’ esta quarta-feira. A gravidade da situação fez com que o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, comparasse a destruição aos “cenários de Hiroshima e Nagasaki”.

Sobre o local onde decorreu as explosões, o presidente libanês Michel Aoun garantiu que existiam 2.750 toneladas de nitrato de amónio, habitualmente utilizadas em fertilizantes e bombas que foram armazenadas durante seis anos no porto sem medidas de segurança, algo que Michel Aoun qualificou como “inaceitável”. O primeiro-ministro do Líbano prometeu ainda que “os responsáveis ​​vão pagar o preço”.

Hassan Diab referiu aos jornalistas que não sabia o motivo da explosão e assegurou que nunca tinha visto tamanha destruição, comparando a explosão em Beirute com os “cenários de Hirosima e Nagasaki”, segundo o Daily Mail.

O presidente de câmara de Beirute, considerou que a capital do Líbano parecia “uma zona de guerra”. “Estou sem palavras”, apontou Jamal Itani à Reuters que admitiu que a reconstrução terá custos elevados. “Esta é uma catástrofe para Beirute e para o país”, lamentou.

Segundo a BBC, o chefe da Cruz Vermelha do Líbano, George Kettani, explicou que “existem vítimas e baixas em todos os lugares” e que “ainda podem existir vítimas” que não foram encontradas. A BBC relatou também que os hospitais em Beirute estão sobrecarregados, uma região que já estava a ser afetada pelo número de infetados pelo coronavírus.

“Pedaços de vidro cobriam a estrada”

O jornalista da BBC Rami Ruhayem contou que após a explosão instalou-se o caos e era possível ouvir as ambulâncias com as sirenes que ecoavam no meio do tráfego. “Pedaços de vidro cobriam a estrada que levava a Beirute a partir do norte”, recordou Rami Ruhayem.

Outra jornalista da BBC, Lina Sinjab, relatou que sentiu a explosão de onde estava, a cinco minutos de carro da área portuária. “O meu prédio estava a tremer, prestes a cair, todas as janelas abriram-se”, lembrou Lina Sinjab.

A testemunha ocular Hadi Nasrallah diz que viu o fogo, mas não esperava a explosão. “Perdi a audição por alguns segundos, sabia que algo estava errado e, de repente, o vidro quebrou por todo o carro, os carros ao nosso redor, as lojas, as lojas, os prédios.

Já a testemunha Hadi Nasrallah explicou que perdeu “a audição por alguns segundos”. “Sabia que algo estava errado e, de repente, os vidros partiram-se, do meu carro, dos carros à nossa volta, das lojas, dos prédios. Surgiam vidros de todos os lados”, assegurou Hadi Nasrallah.

De acordo com a Reuters, as autoridades em Israel, que travaram várias guerras com o Líbano, garantiram não ter qualquer envolvimento com a explosão e ofereceram ajuda para prestar assistência médica e humanitária.

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