Documento interno da OMS revela que China “pouco” fez para saber origens do coronavírus

O documento, que foi redigida numa altura em que o mundo registava cerca de 20 milhões de casos por Covid-19, descreve uma situação que sugere que os investigadores da OMS foram impedidos de estudar a origem da pandemia na China. “Nenhuma apresentação em PowerPoint foi feita e nenhum documento foi compartilhado ”, lê-se no relatório.

Charly Triballeau/Agence France-Presse — Getty Images

As autoridades sanitárias chinesas “pouco” fizeram em termos epidemiológicos para investigar as origens da Covid-19 nos primeiro oito meses após o surto em Wuhan. A conclusão chega num documento interno da Organização Mundial da Saúde (OMS) a que o “The Guardian” teve acesso.

Datado a 10 de agosto de 2020, o documento informa que a equipa da OMS que se encontrou com investigadores chineses no ano passado, numa missão para tentar descobrir as origens do vírus, recebeu poucas novidades e não pôde contar com qualquer documento escrito ou relatório de análise à situação epidemiológica no país durante aquele período.

A declaração, que foi redigida numa altura em que o mundo registava cerca de 20 milhões de casos por Covid-19, descreve uma situação que sugere que os investigadores da OMS foram impedidos de estudar a origem da pandemia na China. O jornal britânico escreve que o documento relata que os primeiros contactos com as autoridades chinesas, no ano passado, ocorreram em reuniões que se prolongaram por 10 dias. Essas reuniões contaram com a presença de membros do governo chinês, a comissão nacional de saúde, a agência de regulamentação de mercado e o Instituto de Virologia de Wuhan.

“Após extensas discussões e apresentações de contra partes chinesas, parece que pouco foi feito em termos de investigações epidemiológicas em Wuhan desde janeiro de 2020. Os dados apresentados oralmente forneceram mais alguns detalhes do que os apresentados nas reuniões do comité de emergência em janeiro de 2020. Nenhuma apresentação em PowerPoint foi feita e nenhum documento foi compartilhado ”, lê-se no relatório.

O documento surge numa altura em que a administração de Joe Biden partilhou preocupações pela falta de cooperação das autoridades chinesas no processo de investigação do vírus que já causou mais de 111.641.390 infeções e mais de duas milhões de mortes. O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan urgiu a todos os países, incluindo a China, que disponibilizassem os dados recolhidos durante os primeiros dias em que foram registados contágios de forma a que a investigação sobre o vírus seja “transparente e robusta” e possa responder a futuras emergências sanitárias.

 

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