Dólar tem maior valorização desde o primeiro mês de Trump na Casa Branca

Abril foi positivo para os mercados norte-americanos, com Wall Street a fechar o mês no verde pela primeira vez desde janeiro. O dólar teve um desempenho que não se via desde fevereiro do ano passado, com um ganho de 2% contra o euro.

Mark Blinch/Reuters
Ler mais

O dólar norte-americano registou, em abril, o segundo melhor desde que Donald Trump chegou à Casa Branca, com uma valorização de 2% face ao euro. Uma valorização superior (2,05%), só aconteceu mesmo em fevereiro do ano passado, ou seja, no primeiro mês completo da presidência republicana. No mercado acionista norte-americano, abril também foi positivo, com Wall Street a regressar aos ganhos.

“O dólar voltou a subir e quebrou o limite inferior do intervalo de negociação que mantinha face ao euro, um movimento que dificilmente pode ser explicado por uma única razão”, explica a fintech de câmbio Ebury.

A divisa norte-americana apreciou-se 0,06% contra o euro, para 1,2078 dólares, longe dos 1,232 dólares com que fechou março. A impulsionar a moeda estiveram os indicadores económicos publicados na semana passada nos EUA. Na maioria, superaram as expetativas, destacando-se o crescimento do PIB no primeiro trimestre, à taxa anualizada de 2,3%.

“Aparentemente, as surpresas positivas nos dados económicos de segunda linha publicados para os EUA foram suficientes para assustar as posições curtas, há muito no mercado, e para forçar uma subida do dólar face a todas as moedas do G10 e dos principais mercados emergentes”, refere a Ebury.

Na semana passada, os investidores estiveram de olhos postos também nas yields das obrigações soberanas dos EUA a 10 anos, que ultrapassaram os 3% pela primeira vez desde 2014. Esta segunda-feira, os juros das Treasuries benchmark fecharam nos 2,955%.

“Os investidores no dólar continuaram a cobrir as posições curtas e suportaram o dólar acima dos recentes intervalos de negociação”, afirma ainda a fintech, acrescentando que “é pouco provável que a pressão de subida sobre a moeda norte-americana diminua ao longo da semana” dado que a Reserva Federal norte-americana deverá, esta quarta-feira, reiterar a mensagem de que se continua a justificar o aumento das taxas de juro de referência.

Além do mercado cambial, também o acionista nos EUA viveu um bom momento em abril. Após um arranque do ano que prolongou os ganhos de 2017, Wall Street foi destabilizado por um mini-selloff no mês seguinte.

Depois de terem fechado no ‘vermelho’ tanto fevereiro como março, as principais bolsas norte-americanas regressaram aos ganhos, apesar de ligeiros. O índice industrial Dow Jones registou uma valorização mensal de 0,26% para 24,166.38 pontos, enquanto o financeiro S&P 500 ganhou 0,27% para 2.648,05 pontos e o tecnológico Nasdaq avançou 0,04% para 7.066,27 pontos, no total do mês.

Relacionadas

Subida dos preços do petróleo penaliza Wall Street

O setor da saúde foi o que mais pesou no S&P 500, que levaram a tombos próximos de 5% da Allergan e da Celgene. O dólar valorizou face às pares e as ‘yields’ recuaram.

Cinco lições que as tecnológicas deviam tirar da crise

Alexandra Borchardt, diretora de desenvolvimento estratégico do Reuters Institute for the Study of Journalism, aponta as semelhanças entre a banca antes da crise financeira de 2008 e o atual setor tecnológico.

A sombra de uma elevada dívida paira sobre a economia mundial

“Os EUA é o único país em que a proporção da dívida pública em relação ao PIB deve subir de 108% em 2017 para 117% em 2023”, disse Vitor Gaspar, diretor do departamento de Assuntos Fiscais do Fundo, aos jornalistas, citado pelo El Economista.
Recomendadas

IPO: Farfetch encaixa 750 milhões com preço das ações acima do esperado

Ações começam a ser negociadas esta sexta-feira na bolsa de Nova Iorque. Na oferta inicial, foram vendidos mais de 44 milhões de títulos a 20 dólares cada, enquanto o preço estimado pela empresa estava entre os 17 e os 19 dólares.

Gestão passiva prejudica o investimento em valor

Ao contrário dos momentos em que a ações sobem, estamos perante um contexto em que se pode estar fortemente investido na bolsa de Nova Iorque, de forma diversificada, e perder dinheiro.

BCP e EDP Renováveis levam PSI 20 a abrir no ‘verde’

O banco negoceia em máximos de um mês, enquanto a eólica está a reagir em alta ao anúncio de um novo projeto no Brasil que levará a atividade da empresa para o triplo do atual dentro de cinco anos.
Comentários