E-commerce e teletrabalho impulsionam crescimento de empresas de tecnologia

“Têm surgido projetos de e-commerce, gestão de processos internos, melhoramento de performance, de gráficos”, revela o CEO da Altyra.

Com a chegada da pandemia de Covid-19, grande parte dos portugueses foi deslocado para o teletrabalho e outros tiveram de repensar as suas estratégias de negócio. Novas necessidades surgiram, o que proporcionou um crescimento no número de projetos das empresas que desenvolvem software.

“Notamos a procura, as empresas agora estão mais despertas para o online, era algo que muitas vezes ficava para segundo plano e hoje, com a pandemia, começaram a apostar em ferramentas online”, admite ao JE Pedro Alves CTO da Altyra que teve um crescimento de 20 a 30% nos seus projetos.

Dos pedidos feitos à Altyra, “têm surgido projetos de e-commerce, gestão de processos internos, melhoramento de performance, de gráficos”, revela. Pedro Alves destaca a plataforma do Maratona Clube de Portugal, na qual tem trabalhado, e um pedido para a adaptação de licitação de gado ao online, através de vídeo streaming.

Estas modificações são reflexos de “negócios que se estão a adaptar”, explica ao JE Pedro Silva CEO da SetUp Technology. “Temos recebido muitos pedidos de orçamento, bastantes pedidos para lojas online, as pessoas começam a entender que o online é uma mais-valia porque funciona em quaisquer condições”, recorda Pedro Silva. A empresa sempre se dedicou a desenvolver lojas virtais, mas Pedro Silva confessa que “ nunca tivemos tantos pedidos como tivemos nas últimas semanas e isso mostra que as pessoas estão dispostas a fazer um upgrade ao seu negócio”.

Apesar do crescimento da SetUp Technology, Pedro Silva considera “ótimo as pessoas pensarem em soluções para o seu negócio”, mas acredita que daqui a alguns meses essas mesmas pessoas poderão “desiludir-se”. “Ter uma loja online demora um mês, é relativamente rápido colocar os produtos à venda, mas isso não chega, é preciso muito trabalho para tirar rentabilidade”, lembra.

Por outro lado, o teletrabalho também motivou o crescimento das empresas que desenvolvem software. “As organizações procuraram potenciar a produtividade das suas equipas, em teletrabalho e apostar em ferramentas de colaboração, sentiram também a necessidade de reagirem de forma mais rápida e serem capazes de implementar novos sistemas e aplicações de forma ágil”, conta ao JE Alexandre Rosa CEO da Noesis.

Alexandre Rosa garante que “os temas relacionados com o crescimento exponencial dos dados disponíveis nas organizações, provocado pelo aumento do tráfego nos canais digitais e e-commerce, para além de questões relacionadas com o customer experience” são outras áreas em desenvolvimento desde a chegada da pandemia.

“Toda esta tecnologia já estava à disposição das organizações antes desta crise e já eram tendências muito marcadas de transformação digital, mas é um facto que este contexto veio acelerar a sua aplicação”, lembra o CEO da Noesis.

A exceção à regra

Apesar do sucesso das empresas de tecnologia, também nesta área existiu quem não tivesse oportunidade de crescer. A Soft In Motion trabalha em “mercados de nicho”, afirma ao JE Manuel Costa responsável pela empresa. Os seus principais produtos estão virados para o turismo, um dos muitos setores que ficou em suspenso durante o período do confinamento.

“O projeto nacional é um projeto que faz a gestão dos alojamentos locais, permite a empresas fazer a gestão dos seus imóveis nomeadamente com ligação aos canais internacionais como é a Booking, a Airbnb”, clarifica Manuel Costa. Já o produto internacional “é um programa que permite comunicar diretamente com a Booking, a Airbnb, vendível a empresas que necessitam de ligar aos canais”.

Manuel Costa lembra que no mercado internacional teve “uma boa surpresa” uma vez que, os clientes “mantiveram-se a trabalhar connosco”, mas registou “uma grande diferença na faturação porque os clientes reduziram o número de propriedades”.

No mercado nacional, o panorama foi mais negro. “Muitos dos nossos clientes não sabem muito bem o que vão fazer, quer nos alojamentos locais, quer em empresas que gerem alojamentos locais, a quebra foi tao drástica que muitos deles não sabem se vão continuar nessa área de negócio”, lamenta Manuel Costa.

A Soft in Motion previa ter tido um crescimento de 40%, mas como recorda Manuel Costa “tudo parou”. “Estávamos a fazer o interface com a Airbnb e com a situação da crise a operadora mandou 25% do seu pessoal embora e cancelou todas as ligações que estava a fazer com parceiros”, exemplifica.

Apesar do cenário pouco positivo, Manuel Costa demonstra-se confiante quanto à retoma e aposta no setor do turismo e decide investir em outros projetos como é o caso da gestão de condomínios para que a empresa não fique limitada ao turismo.

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