“É imoral relacionar comissões e despedimentos”. Sindicato dos quadros acusa APB de chantagem

A APB disse que limitar e proibir comissões bancárias pode levar a despedimentos e saída de bancos de Portugal. Em reação, Paulo Gonçalves Marcos, presidente do SNQTB, veio já dizer que “as declarações da APB são de um profundo desrespeito pelos trabalhadores das instituições bancárias. É imoral estabelecer qualquer relação direta entre a cobrança de comissões e os despedimentos dos trabalhadores e o encerramento de balcões”.

Cristina Bernardo

“É imoral estabelecer uma relação entre cobrança de comissões e despedimentos”, diz o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) em reação ao comunicado enviado hoje pela Associação Portuguesa de Bancos (APB) sobre as propostas legislativas que vão estar em debate amanhã no Parlamento sobre as comissões bancárias.

Em comunicado hoje enviado, a APB, a propósito da discussão na quinta-feira no parlamento de propostas de BE, PCP, PS, PAN e PSD sobre limitação e proibição de comissões bancárias, considerou que limitar ou proibir comissões pode ter como consequência os bancos reduzirem “ainda mais a estrutura de custos, designadamente com pessoal e rede de balcões”, uma vez que condiciona a rentabilidade dos bancos.

A associação do setor invoca que se trata de “uma condicionante à rentabilidade, obrigando a reduzir ainda mais a estrutura de custos, designadamente com pessoal e rede de balcões”; para além de ser “um fator potenciador da deslocalização da atividade bancária para fora de Portugal, na medida em que prestadores de serviços sediados noutras jurisdições europeias que ofereçam remotamente serviços bancários a consumidores portugueses ficarão à margem das limitações impostas pelo quadro legislativo e regulatório nacional”.

“Todo este contexto condiciona fortemente a atratividade do sector bancário português, comprometendo de forma significativa a execução do negócio bancário a partir de Portugal, com repercussões ao nível do emprego e da criação de prosperidade no nosso país”, conclui a entidade liderada por Faria de Oliveira.

Em reação, Paulo Gonçalves Marcos, presidente da Direção do SNQTB, veio já dizer que “as declarações da APB são de um profundo desrespeito pelos trabalhadores das instituições bancárias. É imoral estabelecer qualquer relação direta entre a cobrança de comissões e os despedimentos dos trabalhadores e o encerramento de balcões”.

“No passado, os bancos aumentaram as comissões e não foi por isso que deixaram de despedir, estabelecer programas de rescisões de mútuo acordo ou propor reformas antecipadas aos trabalhadores. A relação estabelecida pela APB revela a falta de seriedade das entidades que a integram e constitui um bode expiatório para um objetivo previamente definido e que não podemos deixar de denunciar”, conclui Paulo Gonçalves Marcos.

 

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