Economista-chefe do BCE diz que novo programa de compra de ativos não muda limites por país

BCE anunciou que vai reiniciar a compra líquida de ativos em novembro. Philip Lane explica que “os volumes de compra previstos serão consistentes com os atuais parâmetros” por um longo período de tempo.

O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, assegurou esta segunda-feira que o novo programa de compra de ativos no valor de 20 mil milhões por mês anunciado por Mario Draghi não irá implicar a alteração dos atuais parâmetros, como o volume de aquisição por país.

“Com base nas nossas projeções sobre o tamanho e a evolução do universo comprável, estamos confiantes de que os volumes de compra previstos serão consistentes com os atuais parâmetros do APP [Asset Purchase Programme] por um longo período de tempo”, explicou Philip Lane, em Londres, segundo o discurso publicado no site do banco central.

Na quinta-feira passada, o BCE anunciou um pacote de estímulos, nomeadamente que vai reiniciar a compra líquida de ativos em novembro, com a aquisição de dívida no valor de 20 mil milhões de euros por mês durante o período em que for necessário.

“Espera-se que as compras durem o tempo necessário para reforçar o impacto acomodatício das taxas de juro e terminem pouco antes de começarmos a aumentar as principais taxas de juros do BCE”, salienta Philip Lane.

O programa de compra de ativos é uma das medidas não convencionais utilizadas pelo BCE para estimular a economia e já tinha sido utilizado anteriormente. Terminou em dezembro de 2018, ainda que o pagamento dos ativos adquiridos continuem a ser reinvestidos.

As medidas não convencionais aplicadas pelo BCE desde 2014 aumentaram em mais 0,5 pontos percentuais o crescimento e a inflação, tendo “quase metade do impacto resultado do Quantitative Easing”, segundo cálculos de Philip Lane, citados pelo banco holandês ING.

“Quando o BCE iniciou o QE em 2015, as projeções da equipa projectavan uma aceleração da inflação de 0,5% em 2014 para 1,3% em 2016”, destaca o ING, considerando que o atual risco de passar de um período de estagnação económica e baixa inflação para deflação “é provavelmente tão alto como em 2014/15”.

Na última reunião presidida por Mario Draghi, o Conselho de Governadores anunciou ainda um corte de 10 pontos base na taxa de depósito, para -0,50%, permanecendo a taxa de juro diretora na zona euro em 0% e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez fica em 0,25%.

“As medidas que anunciámos na semana passada complementam-se umas às outras e juntas constituem um pacote poderoso”, realçou esta segunda-feira o economista-chefe do BCE. “As evidências mostram que as nossas medidas de política monetária têm sido uma resposta efectiva ao ambiente que o BCE tem enfrentado nos últimos anos”.

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