Como fazer escolhas inteligentes no aquecimento de águas

Sabia que a produção de água quente sanitária (AQS) representa cerca de 24% do consumo de energia de uma habitação, ou seja, cerca de 28% da despesa total com a energia?

É a segunda maior utilização doméstica de energia nas casas portuguesas, com o seu consumo a ser distribuído, maioritariamente, pelas instalações sanitárias e cozinha [1].

Tipos de equipamento de produção de AQS

Existem vários tipos de equipamentos para a produção de água quente sanitária. Saiba como funcionam para poder fazer a escolha de acordo com as suas necessidades:

1. Esquentadores: A produção de calor é obtida através da combustão de gás natural, propano ou butano, sendo ativado instantaneamente, quando abrimos a torneira no ponto de consumo. Em alguns casos, estes sistemas são utilizados como sistema de apoio a um sistema solar térmico.

2. Caldeiras: Tal como os esquentadores, as caldeiras são equipamentos em que a produção de calor é principalmente obtida através da combustão de um combustível. A diferença entre os dois é que a caldeira permite ser usada para dupla função: produção de AQS e aquecimento do ambiente.

3. Coletores solares térmicos: São sistemas de energia renovável em que a radiação solar incidente é convertida em calor.  São obrigatórios para todos os edifícios de habitação novos posteriores a julho de 2006. Para assegurar integralmente a produção de água quente é necessária a instalação de equipamentos de apoio.

4. Recuperadores de calor e salamandras: Estes equipamentos são alimentados a biomassa sólida (lenha ou pellets) e a produção de calor provém da sua combustão. Podem ser utilizados para a produção de AQS ou aquecimento do ambiente.

5. Termoacumuladores: São dispositivos de acumulação de água equipados com uma resistência elétrica que transforma a energia elétrica em calor para o aquecimento da água.

6. Bombas de calor: As bombas de calor ar-água são os dispositivos elétricos mais eficientes para produção de AQS e aquecimento do ambiente, através da captura do calor proveniente do ar ambiente exterior.

Com base em informação dos Certificados Energéticos de Habitação emitidos desde janeiro de 2014, é possível observar como está a distribuição de equipamentos para a produção de AQS, sendo possível perceber que o esquentador é o equipamento mais usado para esse efeito, com eficiências na ordem dos 85-90%

Figura 1 – Distribuição de equipamentos de produção de AQS (fonte: Sistema de Certificação Energética de Edifícios)

 

 

Dicas para a escolha de um esquentador adequado

Na aquisição de esquentadores a gás, tenha em mente os seguintes pontos:  :

1. Objetivo: Qual é o fim a que se destina? Apenas produção de AQS ou também para aquecimento do ambiente?

2.  Necessidades: Identificar o perfil de carga, o número de utilizadores e o tipo de consumo. O perfil de carga consta na etiqueta energética do equipamento e tem escalões que vão desde XXS a XXL, de acordo com a tabela 1.

Tabela 1 – Perfis de carga dos equipamentos de produção de AQS, em função das necessidades de consumo [2].

3.     Fazer a comparação entre sistemas com o mesmo perfil do consumo analisando a eficiência energética de cada um. Sugere-se que seja escolhido um equipamento com classe energética A+ ou superior, para minimizar o consumo de energia. A figura abaixo ajuda-o a saber como ler uma etiqueta energética de um sistema aquecedor de água.

Figura 2 – Dicas de como ler uma etiqueta energética de um sistema aquecedor de água [3]

Minimize o consumo de água e energia com estes conselhos:

1. Reduza a distância entre o sistema de produção de AQS e o ponto de consumo, tanto quanto possível. Os esquentadores a gás são equipamentos instantâneos, uma vez que começam a aquecer a água de imediato no momento em que são ligados, no entanto demoram alguns segundos até a água atingir a temperatura ideal.

2.     Opte por torneiras misturadoras nos pontos de consumo de AQS;

3. Evite a utilização de água quente em lavagens rápidas, como a lavagem de mãos ou dentes;

4. Feche a torneira da água enquanto lava a loiça, os dentes, as mãos, faz a barba ou toma duche;

5. Evite fugas e “o pingar” das torneiras – o simples gotejar de uma torneira pode significar uma perda de até 100 litros de água por mês [3];

6. Reduza o número de banhos de imersão e substitua-os por duches – um duche pode consumir cerca de quatro vezes menos água que um banho de imersão;

7. Instale reguladores de temperatura com termostato, principalmente no duche, pois estes permitem poupar entre 4% a 6% de energia. Defina uma temperatura de funcionamento entre os 30ºC e os 35ºC, a qual é suficiente para transmitir uma sensação de conforto na higiene pessoal [3];

8.     Garanta uma correta manutenção e um bom sistema de regulação, uma vez que permitem poupanças totais superiores a 20% nos serviços comuns;

9.     Garanta que os equipamentos e a canalização de distribuição de AQS estão bem isolados.

 

Referências:

[1] Inquérito ao consumo de energia no setor doméstico, 2010, INE/DGEG

[2] “Sabia que…”: 10 soluções de eficiência energética, disponível em https://www.sce.pt/certificarevalorizar/sabia-que.html

[3] Artigo do Poupa Energia sobre o Esquentador, disponível em https://poupaenergia.pt/dicas/esquentador/

 

 

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