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“EDP está para ficar nos EUA apesar dos altos e baixos”, diz diplomata americano

“A EDP investiu mais de 20 mil milhões nos EUA e planeia investir ainda mais”, disse o diplomata norte-americano sediado em Lisboa.
30 Janeiro 2026, 16h43

Um diplomata norte-americano sediado em Lisboa elogiou esta sexta-feira a relação entre a EDP e os Estados Unidos da América.

“Como amiga que a EDP é, estão na América do Norte para ficar, apesar dos inevitáveis altos e baixos”, disse esta sexta-feira Douglas A. Koneff, chargé d’affaires da Embaixada dos EUA em Portugal. “A EDP investiu mais de 20 mil milhões nos EUA e planeia investir ainda mais”.

“Não temos uma relação tipo Tinder”, acrescentou, apontando para a solidez da mesma, segundo o seu discurso durante o evento dos 75 anos da câmara de comércio luso-americana (AmCham).

O Governo de Donald Trump quer mesmo ver a EDP a investir mais nos EUA, revelou o presidente-executivo da elétrica portuguesa esta sexta-feira.

Um pouco antes do discurso do diplomata americano, Miguel Stilwell d’Andrade revelou que, num encontro com o ministro da Energia dos Estados Unidos na semana passada, Chris Wright “encorajou” a elétrica a “fazer investimentos nos EUA”, com destaque para a “energia solar e baterias”.

“Se não houver energia, não conseguem construir centros de dados e os preços da energia vão subir muito” com o disparo na procura e a oferta sem crescer.

“É preciso mais energia, o máximo possível. Esta é uma das melhores alturas para investir nos EUA em termos de rentabilidade”, destacando a energia solar e os projetos de armazenagem de eletricidade, através de baterias, disse durante um discurso na conferência da câmara de comércio luso-americana (AmCham).

Destacou que a companhia já investiu 20 mil milhões de dólares nos EUA, com 40% do seu investimento global a ir para este mercado. “Temos uma longa presença, estamos em mais de 20 estados. Continua a ser um país interessante, com o tema do IA e do digital a criar uma pressão enorme sobre a procura”.

“Não há muitas tecnologias disponíveis. Não há nenhuma central nuclear que vá ser construída nas próximas década. Objetivamente, não é possível construir centrais nucleares em menos de 10 anos. O gás natural é uma opção, mas também há uma limitação na quantidade de turbinas a gás que podem ser produzidas”, destacou.

Projeto do consórcio da EDPR vai ser reavaliado pelo Governo Trump

Com perspetivas mais solarengas no solar e nas baterias, a situação é diferente na energia eólica offshore. Em novembro, um tribunal na capital dos EUA decidiu que o projeto SouthCoast Wind da Ocean Winds (EDPR com Engie) vai voltar a ser avaliado, agora pelo Governo de Donald Trump, como escreveu o JE a 24 de novembro.

A central eólica marítima (offshore) tinha sido aprovada pela administração de Joe Biden, mas o novo executivo diz ter identificado problemas com a análise ambiental do projeto e que poderá vir a revogar a autorização na sua análise.

A decisão do tribunal de Washington DC foi tomada no início de novembro no âmbito de um processo movido pela cidade de Nantucket, Massachusetts, a pedir o cancelamento da aprovação.

O consórcio já tinha anunciado a suspensão do projeto em fevereiro de 2025.

A Ocean Winds argumentou em tribunal que a revisão do projeto pode causar atrasos e colocar em causa contratos para equipamento e serviços necessários para a construção. Contudo, a magistrada disse não estar convencida de que o promotor iria sofrer danos imediatos, segundo a “Reuters”.

Questionada pelo JE, a Ocean Winds disse em novembro ter “preocupações sérias” em relação a esta decisão. “Estamos desiludidos com este resultado, mas estamos comprometidos com os parâmetros rigorosos que guiaram o desenvolvimento do projeto” durante quatro anos à luz da legislação National Environmental Policy Act (NEPA). 

“Estamos atualmente a avaliar as implicações da decisão e vamos considerar todos os passos apropriados, incluindo seguir meios legais, para garantir a integridade do projeto e a contribuição de longo prazo para os objetivos energéticos regionais e nacionais”, segundo Michael Brown, diretor da Ocean Winds para a América do Norte

A companhia já investiu mais de 600 milhões de dólares no desenvolvimento do projeto e licenciamento incluindo pagamentos ao Governo Federal.

A 17 de setembro, o Jornal Económico escreveu que a EDP Renováveis (EDPR) estava preparada para lutar pelos seus direitos num tribunal norte-americano num caso que opõe o seu consórcio ao Governo de Donald Trump.

A Casa Branca quer anular a licença da central eólica offshore (marítima) na costa leste dos EUA, um projeto da Ocean Winds, consórcio que junta a EDP Renováveis e os franceses da Engie.

“Nós – e várias outras empresas – vamos defender os nossos direitos nos fóruns adequados. Depois veremos”, disse o presidente-executivo da EDPR na altura.

“É, no fundo, uma percepção por parte da administração americana que não quer avançar com o eólico offshore. Nós, obviamente, achamos que faz sentido ter estes projetos do ponto de vista técnico, económico e ambiental. Por isso é que avançámos”, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade em setembro.

O projeto Southcoast Wind, ao largo da costa do Massachusetts, tem uma capacidade prevista de 2,4 gigawatts. A companhia deveria iniciar a construção este ano para estar operacional em 2030.

O valor do investimento nunca foi revelado pelo consórcio, mas os custos podem atingir 5 mil milhões de dólares, segundo uma estimativa feita em 2023 pelo jornal especializado “North American Wind Power”.

Em agosto, o Governo federal dos EUA cancelou financiamento de 580 milhões de euros a projetos eólicos marítimos.

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