EISAP alerta para “crescente insatisfação” que pode levar a fuga de navios de bandeira portuguesa para outras localizações

A se confirmar a fuga para outros registos, a European International Shipowners Association of Portugal (EISAP) diz que portugal perderia relevância política de Portugal na discussão de assuntos ligados a um indústria que “assegura 95% da totalidade dos transportes de mercadorias à escala global”. A Associação reforça que “quanto mais tonelagem tivermos registada com a bandeira Portuguesa “mais peso político” o país terá junto de entidades que  definem toda a estratégia marítima mundial, nomeadamente da International Maritime Organisation (IMO).

A European International Shipowners Association of Portugal (EISAP) alerta para a crescente insatisfação de armadores e companhias gestores, com bandeira portuguesa, que pode originar uma fuga para outras localizações. A mesma organização diz que Portugal “não está a conseguir sequer acompanhar o standard de apoio e serviço” que a bandeira deveria conseguir disponibilizar à frota já registada em Portugal, apesar de Portugal estar a enfrentar um cenário favorável devido ao Brexit e pela “degradação de contextos específicos que envolvem algumas das principais bandeiras internacionais (onde se inserem as Europeias)”.

A se confirmar esta possível fugas de armadores e companhias do registo português, no entender da EISAP, a relevância política de Portugal ficaria reduzida, na discussão de assuntos ligados a um indústria que “assegura 95% da totalidade dos transportes de mercadorias à escala global”. A Associação de Armadores reforça que “quanto mais tonelagem tivermos registada com a bandeira Portuguesa “mais peso político” o país terá junto de entidades que  definem toda a estratégia marítima mundial, nomeadamente da International Maritime Organisation (IMO).

“Estamos conscientes de que, infelizmente, Portugal não terá a médio prazo capacidade de desenvolver uma indústria de transporte marítimo de carga com expressão a nível nacional. Mas nada nos impede de, havendo vontade e visão política, tal como acontece em tantas outras indústrias, nos podermos posicionar como um hub de conhecimento e de serviço de referência e por essa forma atrair o interesse económico internacional de toda a indústria”, diz a EISAP.

A EISAP alerta também que os serviços prestados pela bandeira Portuguesa não sofreram a necessária actualização em termos de quantidade e qualidade dos recursos afetos a uma atividade altamente “sofisticada, rigorosa” mas também “dinâmica e ágil”. A mesma organização diz que o país está longe de demonstrar entender esta realidade e longe de entender, e “definitivamente de “potenciar o alargamento do mercado português de transporte marítimo, aumentando o número de navios com bandeira de Portugal, criar emprego e aumentar a receita fiscal”.

A EISAP, referindo-se ao caso de um navio alemão, com bandeira portuguesa, que resgatou quase 100 migrantes do Mar Mediterrâneo e os transferiu para um navio da Marinha da Líbia (país considerado inseguro pela Lei que rege a recepção de migrantes), caso reportado pelo Expresso, mostra que apesar de “algumas importantes e há muito reclamadas medidas tomadas nos últimos anos com vista a procurar equiparar a bandeira Portuguesa a outras de nível internacional, a verdade é que há ainda muito por fazer”.

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