Eleições intercalares: Viragem no Congresso dos EUA será um prenúncio de mudança na Casa Branca?

É uma tendência consistente ao longo da História dos EUA: nas eleições intercalares, quando o partido do presidente incumbente perde lugares ou até maiorias no Congresso, está aberto o caminho para uma mudança na Casa Branca. Daí que as eleições intercalares sejam correntemente entendidas como uma espécie de “referendo” à atuação do presidente.

Quando George W. Bush tomou posse do primeiro mandato como presidente dos Estados Unidos da América (EUA), em 2001, o Partido Republicano dispunha de maiorias nas duas câmaras do Congresso dos EUA.  No Senado verificava-se um empate 50/50 entre os dois partidos, mas nessa situação compete ao vice-presidente dos EUA (na altura Dick Cheney) desempatar com um voto de qualidade. Nas eleições intercalares de 2002, o Partido Republicano reforçou essas maiorias nas duas câmaras e W. Bush foi reeleito em 2004. Nas eleições intercalares de 2006, o Partido Republicano perdeu as maiorias nas duas câmaras e, dois anos depois, o Partido Democrata conquistou a Casa Branca, através do candidato Barack Obama.

Quando Barack Obama tomou posse do primeiro mandato como presidente dos EUA, em 2009, o Partido Democrata dispunha de maiorias nas duas câmaras (Senado e Câmara dos Representantes) do Congresso dos EUA. Nas eleições intercalares de 2010, o Partido Democrata perdeu a maioria na Câmara dos Representantes, mas Obama foi reeleito em 2012. Nas eleições intercalares de 2014, o Partido Democrata perdeu a maioria no Senado e, dois anos depois, o Partido Republicano conquistou a Casa Branca, através do candidato Donald Trump.

É uma tendência consistente ao longo da História dos EUA: nas eleições intercalares, quando o partido do presidente incumbente perde lugares ou até maiorias no Congresso, está aberto o caminho para uma mudança na Casa Branca. Daí que as eleições intercalares sejam correntemente entendidas como uma espécie de “referendo” à atuação do presidente em funções.

Hoje realizam-se as eleições intercalares para o Senado e para a Câmara dos Representantes. Se o Partido Republicano perder as maiorias que tem nas duas câmaras do Congresso (desde 2014), aumentam as probabilidades de o presidente Trump falhar a eventual reeleição para a Casa Branca em 2020? Os registos históricos apontam nesse sentido, mas trata-se de um fenómeno eleitoral que se verifica sobretudo nos segundos mandatos dos presidentes, quando já não se podem recandidatar. Foi isso que aconteceu com Obama em 2014 e W. Bush em 2006. Em sentido contrário, nas eleições intercalares de 1994, o Partido Democrata perdeu as maiorias nas duas câmaras, mas o então presidente Bill Clinton foi reeleito em 1996.

O presidente Trump está a meio do primeiro mandato. De acordo com as sondagens, é provável que o Partido Republicano perca a maioria na Câmara dos Representantes, mas não no Senado. A taxa de popularidade de Trump continua a ser negativa (40% de aprovação), ainda assim ligeiramente melhor do que o ponto mais baixo (33% de aprovação) registado na última semana de outubro de 2017, segundo os dados da Gallup. O resultado das eleições intercalares de hoje poderá ou não ser um prenúncio de mudança na Casa Branca em 2020, mas há algo que se pode antecipar com maior certeza: se o Partido Republicano perder as maiorias no Congresso, Trump terá muitas dificuldades em concretizar o seu programa.

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