Emprego nos EUA deverá manter trajetória de recuperação em abril, esperam analistas

O animador relatório de criação de emprego nos EUA em março deverá agora ver uma continuação da trajetória positiva, numa altura em que a pandemia vai ficando progressivamente mais controlada naquele que foi um dos países mais afetados economicamente pela Covid-19 em 2020.

9 – Estados Unidos

Depois de assegurar quase mais um milhão de novos postos de trabalho em março, a economia norte-americana procura agora manter ou até aumentar este número, dada a destruição que o último ano causou no mercado laboral dos EUA. A divulgação dos dados do emprego desta sexta-feira é aguardada com ansiedade, pela leitura que permitirá fazer da recuperação do mercado de trabalho.

Os 917 mil empregos criados em março não foram uma total surpresa, com alguns analistas a apontarem mesmo para a casa dos milhões e dada a melhoria clara da situação pandémica num dos países inicialmente mais atingidos pela Covid-19. Agora, e depois de quatro semanas consecutivas de novos mínimos no que toca a pedidos semanais de subsídio de desemprego desde a chegada da doença, a expectativa é que esta trajetória se mantenha.

“Tal como em março, esperamos que os ganhos no emprego venham maioritariamente de pequenos aumentos na contratação aliados a quedas mais substanciais no ritmo de despedimentos”, avança a nota dos analistas da Morgan Stanley.

Um barómetro, ainda que de precisão variável, para este indicador costuma ser a criação de emprego no sector privado compilada pela ADP. O relatório da empresa de recursos humanos aponta para mais 742 mil empregos em março, com ganhos sobretudo no sector do turismo, um dos principais afetados pela crise pandémica, e transversais às várias dimensões empresariais do país.

Ainda assim, há quem alerte para os efeitos do prolongamento dos generosos benefícios de desemprego na busca de emprego, com certos sectores a reportarem uma dificuldade na contratação de novos trabalhadores.

“Creio que o ritmo de contratação será muito elevado em abril, maio e junho e abrandará um pouco posteriormente”, afirmou Michael Gapen, economista chefe para os EUA da Barclays, à CNBC.

Um fator que serve de contenção ao otimismo dos mercados prende-se com o índice de gestores de compras (PMI) na manufatura em abril, que recuou inesperadamente. Ainda assim, os 55,1 mantêm um cenário positivo, refletindo um crescimento esperado da economia no mês em questão. Adicionalmente, o índice referente aos serviços mostrou o comportamento contrário, reconfortando alguns investidores mais preocupados.

Independentemente dos dados avançados sexta-feira pelo Departamento do trabalho, a Reserva Federal não deverá alterar a sua postura, apesar das garantias do presidente Jerome Powell de que o regulador se manteria atento ao mercado laboral tal como sucede com o comportamento da inflação no país.

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