Os empresários moçambicanos manifestaram esta terça-feira preocupação com o impacto do conflito no Médio Oriente na disponibilidade dos combustíveis no país, cujo ‘stock’ está atualmente garantido até início de maio.
“Nós estamos preocupados, como classe empresarial, o país inteiro está preocupado, porque estas coisas das guerras são imprevisíveis, não é? Não sabemos até quando esta situação estará normalizada”, disse o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, em Maputo.
À margem de um encontro com o Provedor de Justiça moçambicano, para explorar o apoio da provedoria na melhoria do ambiente de negócios, o responsável alertou que o ‘stock’ de cerca de 75 mil toneladas de combustíveis, recentemente anunciado pelo Governo, que avançou ser suficiente para até princípio de maio, tem prazo: “depois disso, é evidente que não será fácil travar os preços”.
“O que os outros países estão a fazer é subsidiar o preço de combustível, mas até um determinado ponto. O que rogamos é que haja entendimento o mais rápido possível entre os beligerantes para abrirem o canal e começar a circular o combustível para o mundo”, acrescentou Massingue.
Na terça-feira da semana passada, o secretário de Estado do Tesouro e Orçamento garantiu que Moçambique tem 75 mil toneladas de combustíveis suficientes até princípio de maio, após o Irão encerrar o estreito de Ormuz devido ao conflito no Médio Oriente.
“Neste momento os ‛stocks’ de combustíveis existentes permitem assegurar o funcionamento da economia até princípios de maio. No entanto, estão sendo desencadeadas ações no sentido de assegurar que, na eventualidade de registar-se uma perturbação total no fluxo de produtos petrolíferos pelo estreito de Ormuz, acionar-se a entrega de encomendas por rotas alternativas”, disse o secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane.
Cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam pelo estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente, disse na altura o governante, adiantando que o país tem neste momento combustível suficiente para suprir as necessidades de consumo internas.
“Os preços a que estão a ser transacionados estes produtos, a gasolina por exemplo ao preço de 85 meticais [1,14 euros] por litro e o gasóleo cerca de 80 meticais [um euro] prevalecerão um pouco mais até o fim do mês de abril, na medida que os ‛stocks’ foram importados com os preços em vigor antes do início do conflito”, acrescentou.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
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