“Empresas portuguesas enfrentam novos desafios colocados pela pandemia”, diz presidente do Crédito Agrícola

Para solucionar o problema, na perspetiva de Licínio Pina, é necessário que as empresas estejam em sintonia com os novos hábitos de consumo: “As plataformas de venda online cresceram como nunca. As pessoas, no futuro, vão continuar a consumir da mesma maneira, da mesma forma que o fizeram durante ano e meio na pandemia”.

O presidente-executivo do Crédito Agrícola considera que a pandemia de Covid-19, para lá dos constrangimentos provocados à população, colocou novos desafios às empresas portugueses, em concreto no que toca à mão de obra e à escassez de matéria prima,

“Há o crescimento enorme de escassez de alguns produtos, por exemplo, relacionados com a construção civil, assim como o crescimento dos preços, para o dobro, do ferro, alumínio, vidro, enfim todas as matérias-primas cresceram muito, há aqui uma alteração nos vários sectores económicos. Diria que se esgotou todo o stock”, afirmou Licínio Pina durante o quinto ‘Observatório Jornal Económico/Crédito Agrícola’ dedicado ao tema “Os desafios da diversificação da economia”, que teve lugar esta sexta-feira, 12 de novembro.

Para solucionar o problema, é preciso que as empresas estejam em sintonia com os novos hábitos de consumo: “As plataformas de venda online cresceram como nunca. As pessoas, no futuro, vão continuar a consumir da mesma maneira, da mesma forma que o fizeram durante ano e meio na pandemia, portanto o hábito do consumo e estes fundamentais que havia do consumo, vão alterar-se significativamente”.

Licínio Pina sublinha ainda outro fator que veio mudar a maneira como funciona a economia, nomeadamente na mão-de-obra. “Uma alteração muito significativa prende-se com o mercado de trabalho. Notámos aqui no banco que as pessoas, principalmente os jovens, não querem empregos para a vida, querem experiências, conhecimento e, com facilidade, mudam de empresa onde trabalham”.

“Atualmente estamos a competir, não com o nosso mercado português, mas com o mercado mundial. Há pessoas que trabalham diretamente de Portugal para os EUA, para a Ásia ou para qualquer parte do mundo, com os salários desses países. Portanto, nos estamos a confrontar-nos com uma nova realidade: o nosso mercado de trabalho e as nossas leis de trabalho, têm de ser repensadas para dar sustentabilidade à economia no futuro, porque esta realidade vai manter-se”, refere.

Como tal, para sustentar a economia do futuro, Licínio Pina considera que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), poderá ter uma palavra a dizer, ainda que considere o apoio às empresas privadas “insuficiente”.

“É evidente que, nos sabemos que a nossa economia pode acelerar muito com o investimento do sector publico, mas destinar apenas 30% para as empresas, acho que foi demasiado pouco. Terá de haver aqui um equilíbrio de modo a conseguirmos formar as pessoas e modernizar efetivamente as empresas. Não olhem [Governo] apenas para as grandes empresas, olhem para as micro e pequenas empresas que são o nosso tecido empresarial essencial e que dinamizam as economias locais e são importantíssimas para o crescimento do país”, conclui.

Para além do presidente do conselho de administração executivo da caixa central do Crédito Agrícola, participaram no observatório Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC Portugal e Célia Gonçalves, secretária executiva da Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede de Aldeias de Montanha.

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