Estados Unidos decidem aumentar cadência da redução de emissões poluentes

Como se esperava, a cimeira do Dia da Terra motivou vários países a aumentarem o ritmo de redução das emissões de gazes poluentes. Mas as indústrias mais poluentes já sinalizaram que é preciso financiar as mudanças.

Como esperavam os parceiros mundiais, a administração Biden prometeu esta quinta-feira, na cimeira que assinala o Dia da Terra e foi convocada pelo próprio, reduzir as emissões de gases com efeito estufa para metade até 2030, uma meta que o presidente dos Estados Unidos espera que estimule outros países poluentes a tomar a mesma opção.

Os Estados Unidos, segundo maior emissor depois da China, tentam assim recuperar a liderança na luta contra o aquecimento global e outros efeitos que a economia induz sobre as alterações climáticas, depois de o ex-presidente Donald Trump ter retirado o país do Acordo de Paris.

Joe Biden revelou a meta de redução das emissões entre 50% e 52% em relação aos níveis de 2005, no quadro da cimeira onde estão líderes de 40 países, incluindo China, Rússia e Índia, e que fechará esta sexta-feira.

“Esta é a década em que devemos tomar decisões que evitarão as piores consequências da crise climática”, disse Biden, citado pela comunicação social norte-americana. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, já deu os parabéns ao seu homólogo, ao mesmo tempo que o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga revelou que o seu país se compromete com uma redução de 46% até 2030, quando o limite anterior estava nos 26%. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, fez o mesmo: a meta passa para um corte de 40% a 45% até 2030, quando antes era de 30%.

Biden disse ainda que mantém a descarbonização total da economia até 2050, mas não especificou quais serão os sectores a ser chamados para cumprir a sua parte. O grande enigma continua a ser a China – não tanto no que tem a ver com promessas de redução, mas com a efetiva redução: se não houver essa efetivação, a indústria chinesa pode assumir um papel de forte concorrência sobre as suas congéneres dos outros países industrializados, se decidir não investir na produção limpa. O lado positivo da questão é que, se o governo decidir os cortes, nenhum empresário optará por não cumprir as decisões superiores.

O plano de infraestrutura de 2,3 biliões de dólares, decidido o mês passado, contém inúmeras medidas que podem favorecer cortes de emissões necessários nesta década, incluindo a aposta nas energias limpas e a eletrificação da frota de veículos – o que leva a crer que a aposta da Casa Branca é mesmo para cumprir, por muitas dores que a indústria caseira venha a sentir.

Esse é um perigo real: o American Petroleum Institute, o principal lobby do sector do petróleo e gás, acolheu com cautela a promessa de Biden, mas disse, citado pela agência Reuters, que as decisões da Casa Branca devem ser acompanhadas por apoios ao financiamento dos investimentos necessários às alterações e aos sectores cujas alterações são mais difíceis de incorporar.

“Com um preço transparente para o carbono, podemos fazer um progresso climático mensurável nesta década sem prejudicar a classe média da norte-americana, colocando em risco a segurança nacional dos Estados Unidos e minando a recuperação económica”, disse Mike Sommers, presidente e CEO do referido instituto.

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