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Estados Unidos e Rússia asseguram que querem cooperar para a paz, mas não disseram como

Mas ainda não há um acordo. Zelensky não esteve presente na cimeira, mas os analistas afirmam que passos importantes terão sido dados num encontro que ambas as partes disseram ter corrido muito bem.
epa12303548 US President Donald Trump (R) welcomes Russian President Vladimir Putin during their meet to negotiate at Joint Base Elmendorf-Richardson in Anchorage, Alaska, USA, 15 August 2025. EPA/GAVRIIL GRIGOROV/SPUTNIK/KREMLIN POOL / POOL MANDATORY CREDIT
16 Agosto 2025, 00h11

“Eu e o presidente Trump construímos uma boa relação”, facilitadora para a construção de um pacto de paz, disse Vladimir Putin na conferência de imprensa que se seguiu à Cimeira do Alasca.

O presidente dos Estados Unidos respondeu que os trabalhos correram muito bem e que iria de imediato transmitir ao presidente Zelensky “aquilo que foi decidido” no encontro entre os dois. Trump disse estar convencido que há um bom caminho para a paz a partir da cimeira. “Provavelmente iremos encontra-nos muito brevemente”, disse Trump, depois de ter dito que iria contactar a NATO para lhe dar a entender o que foi acordado.

A conferência de imprensa demorou apenas alguns minutos e não houve direito a perguntas, com os analistas a afirmarem que a postura de Putin era mais distendida que a de Trump. No geral, nenhum dos dois líderes disseram ser qualquer sombra de dúvida que o assunto da Ucrânia está resolvido. De algum modo, Putin limitou-se a repetir aquilo que considera serem as causas da invasão da Ucrânia, tendo dito que espera que essas causas devem ser removidas.

O presidente Donald Trump disse que ele e o presidente russo, Vladimir Putin, não chegaram a um acordo para resolver a guerra na Ucrânia após a cimeira de quase três horas no Alasca, embora tenha caracterizado a reunião como “muito produtiva”.

“Há muitos, muitos pontos em que concordamos”, disse Trump. “Eu diria que há alguns pontos importantes que ainda não alcançámos, mas já fizemos algum progresso. Portanto, não há acordo até que haja um acordo”.

Não ficou claro se as negociações produziram passos significativos em direção a um cessar-fogo no conflito mais mortífero na Europa em 80 anos, uma meta que Trump havia estabelecido no início. Putin disse que esperava que a Ucrânia e seus aliados europeus devem aceitar os resultados da negociação entre EUA e Rússia, alertando-os para não “torpedear” o progresso em direção a uma resolução.

Genericamente, os analistas convergiram na evidência de que a cimeira serviu para muito pouco, para além de palavras de circunstância e de algum aparato inicial que induzia um entendimento posterior. A ideia central é, no cenário mais positivo, que as negociações entre as duas partes vão ter de continuar.
Por outro lado, não houve qualquer palavra sobre a possibilidade de haver um encontro entre Putin e Zelensky – na Europa ou em outro lado qualquer – o que leva a considerar que muito pouco ficou decidido na cimeira. Outra matéria que não teve qualquer evolução foi a das sanções sobre Moscovo, algo que estava em cima da mesa.

À medida que as discussões entre os dois líderes mundiais prosseguiam, a Rússia lançou vários ataques aéreos contra a Ucrânia, segundo informações das autoridades ucranianas veiculadas pela imprensa do país. A Força Aérea ucraniana que um grupo de drones de ataque russos estava a caminho da região de Dnipropetrovsk, enquanto uma bomba russa KAB foi lançada visando regiões da linha de frente da Ucrânia.

Quase uma hora depois do fim da conferência de imprensa, a agência TASS ainda não tinha emitido qualquer notícia sobre o que foi dito naquela circunstância.

Para todos os efeitos, a frase “não há acordo até que haja acordo” é aquela que irá passar para os anais da história.

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