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Estratega larga bitcoin para aproveitar valorização do ouro

O estratega da Jefferies, Chris Wood, tinha um portefólio modelo com uma alocação de 10% para a bitcoin. Atualmente a recomendação passa por 70% para ouro ou ações de empresas mineiras e 30% em ações asiáticas fora do Japão.
28 Janeiro 2026, 12h55

O ouro e a bitcoin têm caminhado em sentidos opostos. No caso da matéria-prima as valorizações têm sido constantes levando ao renovar sucessivo de máximos. Na semana passada ultrapassou a barreira dos cinco mil dólares e a expetativa é que continue na senda das subidas. Nos últimos 12 meses o preço já subiu 90%. Já o criptoativo tem feito o caminho contrário depois do pico atingido em outubro de 2025 quando cotava a 124.310 dólares. Desde aí acumula uma perda de 27%, ficando-se pelos 89.749 dólares.

Tirando proveito destas dinâmicas entre o ouro e a bitcoin o estratega de macroeconomia da Jefferies, Chris Wood, decidiu retirar todo o investimento que tinha em bitcoin, para o qual o seu portfólio modelo previa uma alocação de 10%, para o deslocar para o ouro e para empresas de mineração de metais preciosos.

Recorde-se que ao nível dos metais preciosos a prata tem também estado em forte alta, atingindo também máximos. Nos últimos 12 meses já subiu 264%. Esta senda tem sido repetida também pelo cobre que para o mesmo espaço temporal valorizou 38% enquanto que a platina soma ganhos de 170%.

Citado pelo Expansion o estratega revela que esta opção se justifica pelos receios que possui de que a computação quântica no futuro permita que as criptomoedas sejam “roubadas” dos seus proprietários, através de decifração dos respetivos sistemas de segurança.

Chris Wood entende que “este potencial risco existencial” mina o conceito da bitcoin enquanto reserva de valor e como uma “alternativa digital” ao ouro.

O Expansion salienta que Chris Wood alocou 5% do seu portfólio a bitcoin, em 2020, quando esta cotava a 22.779 dólares enquanto que os restantes 5% foram alocados em 2021, quando o criptoativo se encontrava a transacionar nos 61.365 dólares.

Atualmente 70% do portfólio recomendado pelo estratega da Jefferies vai para ouro ou ações de empresas mineiras 30% em ações asiáticas fora do Japão. O Expansion refere que a previsão de Chris Wood é que o ouro continua na rota da valorização podendo atingir os 6.600 dólares.

Previsões colocam ouro acima dos sete mil dólares

Mas há quem projeta uma maior valorização para o ouro. A estrategista para a área de commodities (matérias-primas) do ICBC Standard Bank, Julia Du, citada pela CNBC, prevê que o preço do ouro possa atingir os 7.150 dólares.

“Com o nosso objetivo de preço-base para o ouro de cinco mil dólares, estamos cada vez mais focados no nosso cenário de risco de alta de 5.400 dólares. De uma forma mais ampla, acreditamos que as commodities, ou matérias-primas, (incluindo os metais industriais e preciosos) podem desempenhar um papel maior no desempenho do portefólio em 2026. Ao mesmo tempo, mantemos uma visão positiva sobre as ações globais, sustentada por tendências saudáveis ​​de crescimento e lucros, e vemos este recente período de volatilidade como uma oportunidade para construir uma exposição diversificada”, salientou, na sexta-feira, o UBS.

Já a responsável pela área de metais da MKS PAMP, Nicky Shiels, prevê que o ouro possa chegar aos 5.400 dólares este ano. “O ano passado foi histórico, um evento que ocorre uma vez a cada cem anos no mercado dos metais preciosos, em que a prata praticamente duplicou de valor. O ouro subiu 60%, pelo que não veremos uma repetição destes ganhos, mas 5.400 dólares representam uma subida sólida de 30% em relação ao ano anterior. Este é um movimento secular. Não se trata de um pico de alta repentina no mercado de matérias-primas”, adiantou Nicky Shiels, citada pela CNBC.


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