Restrições belgas a voos de Lisboa deixam passageiros e tripulação desorientados

As restrições impostas pelas autoridades belgas aos voos que chegam de Portugal, com quarentena obrigatória para quem esteve na região de Lisboa, estão a deixar passageiros e companhias aéreas desnorteados, devido à falta de informação e de acompanhamento.

Cristina Bernardo

Na passada quinta-feira, as autoridades belgas incluíram a região de Lisboa no lote de “zonas vermelhas” consideradas de alto risco devido à Covid-19, impondo quarentena obrigatória para quem chegue à Bélgica vindo da capital portuguesa.

Logo nesse dia Rita Ribeiro, uma cientista portuguesa a trabalhar em Gante, tentou entrar em contacto com a companhia aérea para alterar o local de partida em Portugal, visando assegurar o seu voo de regresso à Bélgica.

“Liguei para a empresa e disseram-me que não permitiam a mudança do aeroporto de partida [em Portugal], mas também não sabiam dar-me mais informações”, disse hoje a emigrante portuguesa à agência Lusa.

Depois de ter chegado a Portugal no início de julho para prestar assistência à família, Rita Ribeiro começou a ficar assustada nos últimos dias com as notícias sobre restrições impostas pela Bélgica a voos oriundos de Portugal, o que começou desde logo, na quarta-feira, com a inclusão do país no grupo “laranja” – no âmbito do qual são fortemente recomendados testes e quarentena –, entretanto retirada.

Já mantida foi a regra da quarentena obrigatória para quem chega de Lisboa, o que para esta jovem portuguesa de 31 anos “não faz qualquer sentido”.

“A minha família reside em Santiago do Cacém e só venho mesmo a Lisboa para apanhar o voo e de máscara, por isso não acho que faça sentido. E depois não há informação disponibilizada [pelas autoridades belgas] aos passageiros sobre questões como a quarentena, a obrigação ou não de fazer o teste, como é feita a monitorização, etc.”, criticou.

Tal como Rita Ribeiro, a portuguesa Liandra Marinho, a viver e a trabalhar em Bruxelas, onde é professora do ensino primário, esteve nos últimos dias na casa da família nas Caldas da Rainha, sem nunca se ter deslocado a Lisboa.

“Estive a vários quilómetros de Lisboa e não considero justo ser incluída nestas restrições”, afirmou a jovem de 26 anos.

Rita e Liandra falavam com a Lusa prestes a embarcar para Bruxelas no aeroporto de Lisboa, onde foi distribuído aos passageiros um formulário para rastreamento de contactos que obrigava quem o assinasse a “consentir ficar em quarentena nos 14 dias seguintes à sua chegada à Bélgica”.

Porém, ao contrário das regras atualmente definidas pela Bélgica, o documento não fazia distinção entre os passageiros que tinham ou não estado nas 19 freguesias da região de Lisboa sinalizadas pelas autoridades portuguesas, o critério agora aplicado.

Questionados pelos passageiros, os funcionários do aeroporto de Lisboa não sabiam prestar informação adicional sobre o documento que distribuíram, remetendo esclarecimentos para a tripulação belga, constatou a Lusa no local.

Já no embarque, e também questionada pelos poucos que arriscaram voar de Lisboa para Bruxelas no meio de tanta incerteza – o avião ia com um terço da sua capacidade –, a tripulação de cabine belga admitiu não ter recebido “qualquer instrução das autoridades belgas”.

“Teremos de aguardar para ver o tipo de acompanhamento que farão quando aterrarmos no aeroporto de Bruxelas”, dizia um dos funcionários aos passageiros, não escondendo a desorientação perante as várias perguntas que lhe iam sendo feitas.

Já na chegada a Bruxelas, um responsável da entidade de saúde belga deslocou-se à porta do avião para recolher os formulários, que, afinal, só deveriam ser preenchidos por quem esteve numa das 19 freguesias mais afetadas pelo surto, como entretanto clarificado pela tripulação.

Por esclarecer está como será feita a monitorização e o acompanhamento dos casos, como o de Sérgio Oliveira, um brasileiro a viver há 14 anos em Portugal e que também voou hoje de Lisboa para Bruxelas, onde vai estar nos próximos 20 dias para férias e trabalho.

“Vou estar o mais resguardado possível no apartamento que aluguei para a minha estadia, mas ninguém me explicou ao certo o que tenho de fazer”, admitiu Sérgio Oliveira à Lusa, adiantando, ainda assim, estar “mentalizado para a quarentena” dadas as notícias dos últimos dias.

Os contornos exatos das medidas não são claros e provocam interrogações a passageiros e funcionários, não tendo as autoridades belgas prestado esclarecimentos adicionais até ao momento.

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