Uso de recursos naturais regressou a níveis pré-pandémicos, alerta Zero

“Este ano, verifica-se o expectável: na ausência de medidas estruturais que promovam um novo paradigma de desenvolvimento, a Humanidade voltou à sua tendência para acionar o cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo”, disse a associação ambiental Zero.

A associação ambiental Zero revelou, esta quarta-feira, que a utilização de recursos naturais regressou as níveis de 2019 apesar da pandemia.

“Este ano, verifica-se o expectável: na ausência de medidas estruturais que promovam um novo paradigma de desenvolvimento, a Humanidade voltou à sua tendência para acionar o cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo, tendência apenas interrompida em 2020 devido a fatores conjunturais”, aponta a Zero em comunicado onde assinala o dia da sobrecarga do planeta que se celebra hoje.

Esta quinta-feira, a humanidade consumiu os recursos planetários do ano e vai começar a viver a crédito, com a situação a regredir ao nível de 2019, depois de uma acalmia em 2020, devido à pandemia. O aviso foi feito terça-feira pela organização não governamental (ONG) norte-americana Global Footprint Network.

“Quando faltam mais de cinco meses para o final do ano, em 29 de julho teremos esgotado o orçamento planetário de recursos biológicos para 2021. Se tivéssemos necessidade de uma lembrança da emergência climática a ecológica com que estamos confrontados, o Dia da Sobrecarga da Terra encarrega-se disso”, indicou, em comunicado, Susan Aitken, dirigente política em Glasgow, cidade que vai acolher a 26.ª Conferência das Partes (COP26) da Convenção Quadro da Organização das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em Inglês), em novembro.

Para a associação é “urgente a tomada de consciência para a necessidade de alterar o paradigma de desenvolvimento no sentido de promover uma economia do bem-estar, que garante qualidade de vida para todos dentro do respeito pelos limites do planeta”.

Segundo a Zero “existem diversas soluções que podem ser adotadas coletiva ou individualmente e que podem ter um impacto significativo no tipo de futuro que pretendemos, entre eles: a forma como produzimos os alimentos e a dieta que seguimos, a quantidade de bens que consumimos, a forma como nos movemos, as fontes de energia que utilizamos, quantos filhos temos, que área salvaguardamos para
a vida selvagem”.

Um estudo sueco recente, de 21 de julho, apontou que os homens poluem mais do que as mulheres no dia-a-dia devido aos gastos com combustível.

A análise comparou homens e mulheres solteiros na Suécia e descobriu que a comida e as férias foram responsáveis por mais de metade de todas as emissões para homens e mulheres. Os cientistas descobriram que trocar carne e laticínios por alimentos vegetais e usar os comboios, em vez de usar aviões ou automóveis, reduz as emissões das pessoas em 40%.

Por sua vez, a Zero sugere redução da pegada ligada à mobilidade em 50%, diminuição do consumo de carne em 50% e redução do desperdício alimentar também para metade.

Recomendadas

Treze distritos sob aviso amarelo na quinta-feira devido à chuva e trovoadas

Treze distritos de Portugal continental vão estar sob aviso amarelo na quinta-feira devido à previsão de aguaceiros por vezes fortes e trovoadas, anunciou esta quarta-feira o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Investigadores portugueses utilizam resíduos florestais para fazer biocombustíveis

Com a sustentabilidade cada vez mais na ordem do dia, cientistas do Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho procuraram soluções para aproveitar toneladas de resíduos que diariamente aumentam a poluição ambiental.

Católica, BPI e Fundação La Caixa criam observatório dos objetivos sustentáveis da ONU nas empresas portuguesas

Filipe Santos, ‘dean’ da Católica-Lisbon, diz que a ideia passa por “monitorizar a implementação da Agenda 2030 das Nações Unidas através do acompanhamento de um grupo representativo de grandes e médias empresas portuguesas e fazer a publicação de um relatório anual”.
Comentários