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EUA: Criação de emprego abranda em maio, mas supera expectativas

O mercado laboral dos EUA viu mais 139 mil postos de trabalho em maio, uma desaceleração em relação a abril, cujos números foram revistos em significativa baixa (tal como os de março). Sector público vê o emprego cair pelo quarto mês seguido.
6 Junho 2025, 14h57

A economia norte-americana conseguiu criar 139 mil postos de trabalho em maio, superando ligeiramente as expectativas e ficando pouco abaixo da leitura de abril, que foi revista em baixa de 177 mil para 147 mil. Em termos de desemprego, o indicador manteve-se em 4,2%, enquanto a evolução salarial superou a de abril.

Os dados do mercado laboral divulgados esta sexta-feira estavam a gerar alguma expectativa no mercado, dada a incerteza criada pela política comercial da administração norte-americana e a necessidade de avaliar os seus impactos na economia real. Apesar de terem superado as expectativas do mercado, que estavam cifradas em 130 mil postos, as revisões em baixa de março e abril representam menos 95 mil postos criados nos dois meses anteriores do que inicialmente reportado.

No detalhe, é possível constatar que os ganhos foram concentrados totalmente em dois sectores: os serviços de educação e saúde registaram um aumento de 87 mil postos, enquanto o turismo e hotelaria ganhou 48 mil empregos.

Em sentido inverso, a indústria perdeu 8 mil postos, o retalho outros 7 mil e o serviço público federal viu uma diminuição de 22 mil empregos – a quarta descida consecutiva, em linha com os esforços de Trump e da sua administração para reduzir a força de trabalho do Governo federal norte-americano.

O banco ING sublinha precisamente a tendência desde 2023 de os ganhos laborais serem quase exclusivamente responsabilidade dos dois sectores que continuaram a crescer em maio mais o público, que pesaram 87% na criação de emprego desde então. Pelo contrário, sectores “tradicionalmente associados a uma economia americana forte não têm criado emprego de forma significativa”, como o tecnológico, serviços financeiros, construção ou transportes e logística.

Assim sendo, e dada a vontade da administração de reduzir gastos em serviços sociais e a força laboral federal, a tendência para os próximos meses deverá ser menos positiva, projeta o banco ING, que abre mesmo a porta a que os sectores da educação e saúde tenham contribuições líquidas negativas para o emprego na segunda metade do ano.

Por outro lado, com o aumento dos controlos sobre a imigração e a deportação de inúmeros trabalhadores sem documentos, será mais difícil à economia norte-americana sustentar o crescimento do mercado laboral durante os próximos semestres.


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