A Reserva Federal arrancou o ano com uma reunião sem mexidas nos juros diretores, em linha com o esperado, isto enquanto a economia dá sinais mistos e o presidente do banco central continua no foco da pressão da Casa Branca. É a primeira pausa após três descidas consecutivas no final do ano passado.
As taxas de referência para a economia norte-americana ficam assim entre 3,5% e 3,75%, o valor mais baixo desde 2022, quando arrancou o aperto monetário como resposta ao disparo na inflação. O mercado tomava esta decisão da Fed como quase certa, face a um abrandamento claro da criação de emprego e inflação persistentemente acima do objetivo de médio prazo do banco central.
Ainda assim, a nota de imprensa que informou o mercado da decisão menciona que “a atividade económica tem expandido a um ritmo sólido”, bem como que o mercado laboral mostra “sinais de estabilização”. Na mesma linha, referências em comunicados anteriores sobre um risco maior de abrandamento do emprego do que ressurgimento da inflação deixaram de aparecer, sugerindo que a avaliação da economia melhorou desde dezembro.
Recorde-se que nas projeções macroeconómicas mais recentes da Fed, os membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) mostravam mais variância nas suas previsões para a taxa terminal em 2026, mas a média apontava para apenas mais um corte de 25 pontos base (pb) este ano.
Este passou entretanto a ser o cenário base para os mercados, que esperam que tal corte se materialize em junho, mantendo a porta aberta a nova descida em dezembro, a fechar 2026.
A leitura mais recente do índice de preços no consumidor, referente a dezembro, mostrou uma variação homóloga igual à do mês anterior, com 2,7%, ainda bastante acima dos 2% definidos pela Fed. Olhando para o indicador preferencial da autoridade monetária para avaliar a dinâmica dos preços, o índice de gastos pessoais de consumo (PCE), novembro registou uma aceleração de 2,7% para 2,8%, tal como o indicador subjacente, sinalizando uma inflação persistente.
Do lado do emprego, dezembro trouxe apenas mais 50 mil postos de trabalho, abaixo dos 60 mil previstos e dos 56 mil de novembro (um número já revisto em baixa), enquanto 2025 fechou com uma criação total de 584 mil postos. Tal corresponde a uma média de 49 mil empregos mensais e fica bastante abaixo dos 2 milhões de postos criados no ano anterior, em linha com a noção que o mercado de trabalho está a perder fulgor.
[notícia atualizada às 19h05]
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