Exportações podem cair 25%. Consequências da crise são assimétricas, conclui EY

O estudo da consultora assinala que as consequências económicas não serão iguais para todos, devido ao peso do turismo e à margem orçamental dos governos para atuarem e atenuarem ou reverterem os efeitos desta crise.

As exportações poderão cair 25% face ao 2019, sendo a variável macroeconómica mais afetada com o agudizar da crise económica desencadeada pela pandemia de covid-19, indica um estudo da consultora EY, que alerta para consequências assimétricas desta crise.

O estudo assinala que, apesar de o impacto imediato da pandemia por via do confinamento ter atingido todos os países, as consequências económicas não serão iguais para todos, devido ao peso do turismo e à margem orçamental dos governos para atuarem e atenuarem ou reverterem os efeitos desta crise.

“Tal como países mais dependentes de setores mais afetados, como o turismo, enfrentarão maiores desafios na retoma económica, também os países onde os governos dispõem de um espaço orçamental menor serão aqueles onde o impacto da pandemia será mais prolongado”, refere a terceira edição do Caderno de Notas sobre “A crise económica da covid-19”, da EY com supervisão de Augusto Mateus, strategic consultant da consultora.

Perante os principais componentes do Produto Interno do Bruto (PIB) no primeiro trimestre, o estudo assinala a existência de uma dinâmica diferente em Portugal face às principais economias europeia e norte-americana.

“Em Portugal o PIB registou uma quebra 1,3 pontos percentuais superior à procura interna, repercutindo o contributo negativo da procura externa, enquanto em Espanha, França e Itália a variação foi idêntica à da procura interna. Tendo em conta o contributo significativo da componente do turismo nas exportações portuguesas, perspetiva-se a manutenção desta dinâmica até ao levantamento das restrições do tráfego aéreo”, refere o estudo.

Esta nova edição do Caderno de Notas sublinha ainda que o reconhecimento da gravidade e extensão da crise económica e social em desenvolvimento “é importante para alcançar uma definição equilibrada e atempada das medidas de política económica necessárias”, nomeadamente na articulação entre a necessidade de mitigar a pandemia e os seus efeitos económicos e a conceção e execução”de um programa económico de recuperação suficientemente credível e eficaz” na transição para 2021.

O documento sublinha também que num contexto de elevada incerteza e de contração da economia, a perda de receitas e o aumento da despesa – nomeadamente com medidas de apoio ao emprego, como o ‘lay-off’ simplificado e com subsídios de desemprego – vai traduzir-se numa pressão adicional sobre as contas públicas dos países com maiores rácios de dívida pública.

“Em resultado, estes países terão uma menor capacidade em assegurar as medidas de apoio às empresas e trabalhadores por um período mais alargado, bem como introduzir medidas de relançamento da economia no pós-pandemia”, lê-se no documento.

Esta nova edição do Caderno de Notas aponta também os ritmos diferentes no consumo das diferentes categorias de produtos durante o confinamento e posteriormente no desconfinamento, com o comércio relacionado com os alojamentos turísticos, moda e acessórias, viagens, ou imprensa a manterem quebras homólogas bastante expressivas durante o mês de maio, quando o país entrou na segunda fase de desconfinamento.

Já o consumo de combustíveis ou transportes registou uma quebra acentuada em abril, tendo conseguido iniciar alguma recuperação em maio.

O impacto da crise económica e social evidencia também assimetrias ao nível territorial, com as despesas de consumo a recuarem mais nas regiões com maior especialização turística e de forma mais suave aquelas onde é maior a dependência do emprego público e das pensões de reforma

“Algumas comparações entre as quebras verificadas nos distritos, respetivamente, em abril e maio de 2020 face aos meses homólogos de 2019 ilustram bem esta diferenciação: Faro (-52% e -40%), Funchal (-44% e -26%), Lisboa (-47% e -39%), Porto (-40% e -26%), Coimbra (-35% e -20%), Setúbal (-28% e -16%), Braga (-29% e -13%), Bragança (-22% e -1%) e Portalegre (-18% e 0%)”, é referido.

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