Exposição AME tem dívidas, acusa ministro cabo-verdiano

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde disse que a organização do Atlantic Music Expo, durante a governação do PAICV deve 92 mil contos a terceiros e que o caso já está sob alçada judicial.

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O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde disse esta quarta-feira que a organização do Atlantic Music Expo (AME), durante a governação do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) deve 92 mil contos a terceiros e que o caso já está sob alçada judicial.

Abraão Vicente respondia, assim, durante a primeira sessão ordinária de janeiro da Assembleia Nacional, à deputada do partido da oposição, Ana Paula Moeda, quem afirmou que, além de “não mobilizar público”, o Festival Morabeza Festa do Livro tem “gastado dinheiro do contribuinte” e, inclusive, gerado uma “onda de indignação” dos participantes.

“O Festival Morabeza, após a sua terceira edição, não deve a ninguém, ao contrário daquilo que se pode ler no relatório da Inspeção-Geral das Finanças, do vosso tão propalado e amado evento AME”, afirmou Abraão Vicente.

O governante disse ainda que quem recorrer à Inspeção-Geral das Finanças verá que há uma dívida de 92 mil contos de ajustes diretos contratualizado a várias empresas, para montar, concetualizar e fazer acontecer o AME.

“Noventa e dois mil contos davam para organizar três edições do AME, sem recurso ao setor privado. E essa verba está por justificar. Está no relatório da Inspeção-Geral das Finanças, publicado no website das Finanças e mandado a Procuradoria-Geral da República para investigação”, continuou.

Quanto a “onda de indignação”, Abraão Vicente alegou que “um passarinho continua a não fazer primavera”. “Eu respeito todos os detratores deste governo e deste ministro. Nós temos as contas certas, o visto verde do Tribunal de Contas e, com certeza, não teremos contas a prestar a nenhum governo futuro sobre as nossas opções políticas”, acrescentou.

Abraão Vicente relembrou que cerca de 88% dos pagamentos feitos pelo Banco da Cultura, outro projeto da governação anterior, foram destinados às despesas e financiamento de projetos sem dotação orçamental específica, conforme revela o relatório da auditoria financeira feita pelo Ministério das Finanças.

Contra-argumentando, a deputada Ana Paula Moeda disse que o ministro não respondeu as suas questões e estribou-se no AME que “já é passado”. “Você acabou com o AME, portanto não venha aqui atirar as suas pedras sobre o charco por essas suas pedras também são vãs. Façamos pontes e não murros, principalmente na cultura que é uma área de concórdia”, enfatizou.

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