Extrema-direita holandesa ganha eleições provinciais e assusta liberais

O primeiro-ministro liberal Mark Rutte pode ter os dias contados à frente do governo. A extrema-direita, herdeira de Geert Wilders, estará em breve à frente do Senado. Mais um sinal de alerta-vermelho para a União Europeia.

Yves Herman / Reuters

O Fórum pela Democracia (FVD), partido da extrema-direita holandesa, varreu as eleições provinciais na Holanda, tornando-se o maior partido do Senado, depois de ter chamado a si eleitores concentrados até agora no partido os liberais (VVD) do primeiro-ministro Mark Rutte – que, como consequência, perdeu a maioria na Câmara Alta. Com 99% dos votos contados, a extrema-direita – que usa um léxico idêntico ao que vem sendo habitual junto dos seus congéneres europeus – entra em força plenamente na política provincial e nacional.

“O país precisa de nós, hoje escolhemos lutar de novo”, disse o líder do partido, Thierry Baudet, citado por vários jornais, para confirmar a vitória, para a qual contou com os antigos apoiantes de Geert Wilders, anterior líder da extrema-direita que por pouco não conseguiu fazer eleger-se primeiro-ministro em 2017.

Baudet foi o único político que não cancelou a sua campanha eleitoral após o tiroteio de Utrecht, na última segunda-feira, o que lhe custou críticas do governo mas aparentemente não lhe retirou votos.

Aliás, o líder do FVD aproveitou as críticas para reforçar a sua posição anti-imigração, que costuma ser acompanhada por declarações depreciativas para com a necessidade de ajustes por causa das alterações climatéricas, sexistas, antifeministas e eurocéticas.

As eleições foram apresentadas como uma espécie de plebiscito às políticas de Rutte, que está a perder apoio entre os holandeses, mas também como uma auscultação às eleições europeias de maio – o primeiro teste de fogo pela extrema-direita da União Europeia.

Os analistas acreditam que este é o princípio do fim da carreira política dos liberais na Holanda – algo que já esteve a acontecer quando Rutte foi eleito por pequena margem em 2017. Os partidos da coligação do governo, o VVD, os Democratas 66, os democratas-cristãos do CDA e da União Christian, perderam todos eles apoio nas eleições desta quarta-feira.

Estas eleições, nas quais os membros dos conselhos provinciais são eleitos, também determinam a composição do futuro Senado, que é formado em maio, onde o atual executivo perderá uma maioria que era muito curta: o governo de Haia passa de 38 para apenas 30 senadores, numa câmara de 75 membros.

O FVD entra no Senado pela primeira vez, obtendo 13 assentos, um a mais que o liberal VVD. O populista Geert Wildersm, do Partido da Liberdade (PVV), também foi um grande perdedor nestas eleições e vai ficar com apenas cinco lugares e não os nove que tinha até agora.

O Senado será eleito em maio pelos 570 membros dos 12 conselhos provinciais eleitos nesta quarta-feira. O que é conhecido como Holanda do Sul, incluindo Haia e Roterdão, tornaram-se uma espécie de bastião da extrema-direita.

O Senado tem a palavra final na aprovação das leis propostas pelo governo, que passam primeiro pelo Parlamento, onde o atual executivo controla 76 dos 150 assentos. Rutte já garantiu que não vai renunciar.

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