Extrema-direita holandesa pode não ir além do terceiro lugar

Vitória de Mark Rutte é incontestável, enquanto que a extrema-direita de Wilders pode não ir além do terceiro lugar. Coligação de centro fica mais fácil e o futuro imediato do presidente do Eurogrupo fica mais difícil.

Ainda faltam contar muitos votos das eleições de ontem na Holanda, mas os números já apurados permitem, segundo a imprensa daquele país, extrair as primeiras certezas: desde logo a vitória, possivelmente bem mais alargada que aquilo que resultava das sondagens, do actual primeiro-ministro de centro-direita, Mark Rutte; em segundo lugar, o segundo lugar – absolutamente inesperado, dos democratas-cristãos do CDA, que assim ‘atiram’ com a extrema-direita de Geert Wilders para o terceiro lugar; e finalmente a eventualidade de uma coligação estável não ser necessariamente alargada a tantos partidos como esperavam os analistas.

Rutte já fez o discurso da vitória, tendo afirmado que “depois do Brexit e da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, os holandeses disseram ‘não’ ao populismo”, numa noite que apelidou de “festival de democracia”. Wilders também já reagiu, tendo deixado uma mensagem no twitter segundo a qual “o primeiro-ministro ainda não se livrou de mim”.

Quem se livrou dele foi o presidente da Comissão Europeia, Jean-Calude Junkers, que ontem à noite se apressou a dar os parabéns a Mark Rutte e a seguir descansadamente para a cama, presume-se, uma vez passado o fantasma da vitória de um partido de extrema-direira e anti-europeu na Holanda – o que abre boas perspectivas para que o mesmo venha a suceder, já no próximo mês, à extrema-direita francesa nas presidenciais daquele país.

Quem não teve motivos para uma noite descansada foi Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças holandês, que viu o ‘seu’ Partido Trabalhista quase desaparecer do mapa, ao conseguir apenas, em princípio, nove lugares. O mandato de Dijsselbloem à frente do Eurogrupo só acaba no final do ano, mas é provável que a sua posição fique bastante fragilizada, podendo redundar na sua demissão. Dijsselbloem já admitiu a derrota interna.

Entretanto, e a confirmarem-se estes resultados, é possível que o novo governo não tenha de abrir a coligação a tantos partidos como aqueles que os analistas anteviam. Contas por alto – os resultados definitivos só serão conhecidos a 21 de Março – permitem concluir que Rutte deverá conseguir formar governo recorrendo a uma coligação apenas com os democratas-cristãos e com os liberais do D66. Seja como for, o partido de Rutte, o PVV, perde talvez uns 10 deputados em relação há cinco anos, o que quer dizer que, apesar da vitória, está numa posição claramente inferiorizada em termos de compromissos e cedências com os futuros parceiros de coligação.

Passada, aparentemente, a tormenta holandesa, o programa semelhante dentro de momentos num país próximo da Holanda.

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