Famílias sobre-endividadas a pedirem ajuda aumentam há três anos

O desemprego e a deterioração das condições de trabalho foram as duas principais causas para o sobre-endividamento das famílias portuguesas, no primeiro trimestre de 2018. No entanto, foi o segundo que mais ganhou destaque.

Os pedidos de ajuda por sobre-endividamento ao Gabinete de Proteção Financeira da DECO aumentou no primeiro trimestre de 2018, em comparação com igual período do ano passado. Apesar das melhorias económicas e financeiras na generalidade dos indicadores nacionais, a associação de proteção do consumidor já recebeu mais 1,9% processos.

Há três anos consecutivos que o número de processos por sobre-endividamento recebidos pelo Gabinete de Proteção Financeira aumenta, segundo dados a que o Jornal Económico teve acesso.

A associação recebeu recebeu, desde o início do ano, 7.400 pedidos de ajuda, dos quais 642 eram por sobre-endividamento. Desde 2015, que a DECO não recebia tantos casos com esta questão no primeiro trimestre.

Apesar do aumento no número de casos, o montante médio dos créditos em renegociação caiu a pique. O grande problema continua a ser o crédito à habitação, em que o valor médio se situou em 59.000 euros, menos 36,9% que os 80.800 euros médio no primeiro trimestre de 2018. Os empréstimos para comprar casa perderam destaque e abandonaram a lista dos principais problemas.

O valor médio dos créditos pessoais em renegociação aumentou 10,8% para 10.740 euros, face aos anteriores 9.572 euros. Os montantes dos cartões de crédito foram os que mais caíram (43,2%) para 2.500 euros, de 4.400 no ano passado.

O número médio de créditos tem-se mantido estável nos últimos três anos, nos cinco empréstimos por agregado familiar, ainda que abaixo dos sete de há dez anos.

Deterioração das condições de trabalho ganha peso

O desemprego e a deterioração das condições de trabalho foram as duas principais causas para o sobre-endividamento das famílias portuguesas, no primeiro trimestre de 2018. No entanto, se o primeiro diminuiu significativamente, a acompanhar a queda no desemprego a nível nacional, o segundo ganhou destaque.

As famílias que pediram ajuda devido ao desemprego caiu para 24%, face aos 36% do período homólogo. No entanto, a deterioração das condições de trabalho subiu ao segundo lugar, sendo razão em 17% dos casos, um peso mais que duas vezes acima dos 8% de 2017.

Execuções e penhoras (14%), doença e incapacidade (12%), alteração do agregado familiar (9%), divórcio ou separação (8%), negócios e investimentos mal sucedido (6%), apoio a ascendentes (5%), passagem à reforma (4%) e ser fiador (1%) são também causas para os pedidos de ajuda à DECO.

O rendimento médio das famílias também caiu, situando-se nos 1.050 euros, abaixo dos 1.200 euros médios do primeiro trimestre do ano passado.

Apesar da quebra dos rendimento dos agregados, as famílias também diminuíram a taxa de esforço média, para 70%, em comparação com 70,8% em 2017. Em grande parte, o menor esforço das famílias deve-se às baixas taxas de juro, com o valor médio das prestações mensais de crédito a caírem para 735 euros, dos anteriores 850 euros.

As prestações de crédito representam, assim, 70% do rendimento médio. Além disso, a alimentação leva, em média, 225 euros, a eletricidade 60 euros, as telecomunicações 40 euros, o gás 35 euros e a água 28 euros, às famílias portuguesas.

 

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