Fazer ou não fazer acordo, eis a questão de 2019

Ficando agora os ‘non-farm payrolls’ de sexta-feira como a prova dos nove final sobre o estado da economia.

2019 ficará sem dúvida para a história como o ano dos avanços e recuos, isto porque em dois dos principais temas do momento foi um ano de incertezas, muita manipulação e nenhuma conclusão. Refiro-me ao Brexit e à guerra comercial, que terminam o ano sem que exista no horizonte qualquer perspectiva para um final das novelas.

No caso do processo de saída do Reino Unido da União Europeia, por exemplo, as eleições que se avizinham para a formação de um novo Parlamento não se afiguram conclusivas, mas antes poderão resultar na mesma divisão dos últimos anos, sem que uma das partes, apoiantes do Brexit ou do “não Brexit”, tenha margem para implementar as suas ideias, podendo no limite o processo vir a desaguar em novas eleições ou num novo referendo.

Já no tema da guerra comercial, ficámos esta semana de novo a saber que Trump não tem pressa para um acordo com a China, podendo o mesmo vir a ser alcançado depois das eleições presidenciais norte-americanas de Novembro de 2020. No entanto foi o mesmo Trump que um dia depois, afirmou que as negociações para um acordo parcial estão bem encaminhadas, dando espaço para o optimismo que reinou na sessão de quarta-feira.

Mas mesmo que seja alcançado um entendimento primário para impedir a entrada em vigor de novas tarifas alfandegárias no dia 15 de Dezembro, ou reduzir as já existentes, é muito difícil que o clima da conflito seja totalmente ultrapassado, visto que há tópicos em cima da mesa, como o da propriedade intelectual e a luta pela liderança tecnológica, que aparentam ser uma missão impossível de sanar.

Apesar das incertezas, a mão embaladora do berço dos Touros, ou seja os bancos centrais, permanece por agora como a força mais relevante, ultrapassando mesmo algumas evidências de um abrandamento do crescimento da maior economia mundial, como os indiciados pelos números do emprego privado nos EUA, os ADP, que saíram ontem revelando uma criação de postos de trabalhado inferior ao previsto.

Dentro da mesma linha ligeiramente pessimista, os dados sobre o sector dos serviços, os PMI do Institute for Supply Management, que revelaram um avanço do sector sim, mas abaixo do antecipado, ficando agora os non-farm payrolls de sexta-feira como a prova dos nove final sobre o estado da economia.

De realçar a subida do preço do crude um dia antes da entrada em bolsa dos títulos da Saudi Aramco, devido a um inventário mais reduzido do activo nos EUA do que aquele que era expectável, permitindo ao WTI um avanço de 4% no dia e afectando igualmente o sector energético do S&P500, que liderou nos ganhos, com uma valorização de 1,57%.

O gráfico de hoje é do Google, o time-frame é semanal.

 

 

Os títulos da Google subiram ontem 1,6% estando agora de novo perto de máximos históricos e com margem para atingirem os $1,380, sem encontrarem a resistência da linha superior do canal.

 

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