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Fazer vinho como os romanos e gregos, mas com a ajuda da inteligência artificial

Cimento para substituir a madeira. Empresa fundada por jovem engenheira junta-se a especialista em inteligência artificial para melhorar as cubas de cimento que inspiram-se nas ânforas e kvevris utilizadas pelos gregos, romanos, persas e etruscos para fermentar e armazenar vinho.
5 Fevereiro 2023, 10h09

A inteligência artificial é a nova arma para fazer vinho como os romanos, usando betão em vez de madeira para a fermentação e armazenamento de vinho.

Uma produtora de cubas de fermentação e armazenamento de vinho feitas em cimento aliou-se a uma empresa para uma “parceria tecnológica estratégica para desenvolver a próxima geração de cubas feitas em cimento, otimizando as propriedades de fermentação e envelhecimento do vinho e, por consequência, as suas características aromáticas e gustativas”.

A WiseShape já conhecíamos desde janeiro de 2022 quando a empresa anunciou que uma jovem engenheira, Tatiana Sá Marques (na foto), tinha desenvolvido uma cuba de fermentação e armazenamento de vinho inovadora em betão.

Este betão possui características que se assemelham às ânforas e kvevris utilizadas pelos gregos, romanos, persas e etruscos para fermentar e armazenar vinho: “o controlo de temperatura e a micro-oxigenação suave – apenas algumas das vantagens enológicas mais visíveis garantidas pela inércia térmica e porosidade do betão. O design da forma garante que não existem zonas mortas nem efeito de “curto circuito” na movimentação de líquido ou massas vínicas no processo de remontagem”, explicava a WiseShape na altura.

Agora, a WiseShape junta-se à Inductiva Research Labs para “desenvolver soluções baseadas em IA para simulação de processos industriais em vários sectores da economia”.

“As cubas de cimento são porosas e, consequentemente, mais oxigénio entra em contato com o mosto durante o processo de fermentação, o que facilita uma fermentação mais gradual e, consequentemente, uma expressão mais autêntica do vinho, preservando os sabores e aromas originais. No entanto, as cubas de cimento também trazem alguns desafios devido, por exemplo, às variações de temperatura”, segundo Tatiana Sá Marques, co-fundadora e gestora executiva da empresa.

“A tecnologia que estamos a desenvolver com a Inductiva permitirá simular rapidamente o impacto de qualquer mudança de design da cuba na qualidade do processo de fermentação, antes de começarmos a construir novas formas e formatos de cubas para testes e experimentações in vivo”, acrescenta.

As ferramentas de IA vão permitir  “obter novos designs de cubas de cimento para adegas que podem proporcionar benefícios ainda maiores em todo o processo de vinificação e armazenamento”.

Por sua vez, Clara Gonçalves, co-fundadora da Inductiva, disse que esta parceria “traz desafios relacionados com a simulação de fluidos, com a afinação automática do desenho de cubas bem como desafios computacionais muito complexos, os quais estamos habituados a resolver na Inductiva. Sentimos que este projeto envolve uma combinação única entre o conhecimento tradicional do sector e as tecnologias de IA que estão a surgir. Estamos confiantes de que esta cooperação com a WiseShape resultará em soluções que trarão muito valor para a indústria vinícola como um todo”.

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