Fecho imediato de todas as escolas vai ser discutido em Conselho de Ministros nesta quinta-feira

Ministra da Saúde admite que é possível chegar a 20 mil mortes causadas pela pandemia até março. Variante britânica do coronavírus SARS-CoV-2 representa 20% dos casos de infeção e poderá chegar aos 60%.

Marta Temido em entrevista à RTP

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu que o fecho imediato de todas as escolas será discutido no Conselho de Ministros desta quinta-feira. Em entrevista à RTP1, depois de ter participado numa reunião com um grupo de epidemiologistas e de ter falado com o primeiro-ministro António Costa, a governante admitiu que os dados que lhe foram revelados, nomeadamente a prevalência da variante britânica do coronavírus SARS-CoV-2, “obrigarão a novas reflexões sobre possíveis medidas a tomar”.

Marta Temido disse que houve “alterações a estimativas anteriores”, admitindo-se que 20% dos casos de Covid-19 se devam à variante britânica e que essa percentagem possa chegar a 60%. Assim sendo, deverão ser tomadas novas medidas ainda antes da reunião do Infarmed marcada para a próxima terça-feira, depois de Marta Temido e a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, terem reunido com António Costa.

“Estimávamos que o número de casos de hoje tivéssemos só no final do mês”, disse a ministra da Saúde, chamando atenção para a “exaustão física e psicológica” dos profissionais de saúde na linha da frente do combate à pandemia. “É muito penoso sentirem que a situação nos está a ultrapassar a todos”, acrescentou.

Segundo Marta Temido, a continuar o número de óbitos provocados pela Covid-19, “afigura-se possível” que sejam atingidas 20 mil mortes até ao mês de março, estando o número de vítimas da pandemia em 9.465. Nesta quarta-feira foram atingidos os piores valores de sempre em Portugal, com 219 óbitos e 14.647 novos casos.

“Caminhar sobre gelo muito fino” com os grupos privados de saúde

Sobre a negociação com os privados, admitiu que não é a requisição civil que por si só resolve o problema. “Estamos a caminhar sobre gelo muito fino”, referiu, acrescentando que acredita na existência de disponibilidade para “aprofundar o relacionamento” com os grupos privados de saúde.

A seu ver, a alternativa seriam “medidas extremas”, com consequências negativas para o funcionamento das unidades de saúde privadas sobre as quais incidiria a requisição civil, acrescentando que “um bom acordo é melhor do que uma situação de conflito”.

Apesar de reconhecer dificuldades no Serviço Nacional de Saúde, a governante recusou que os profissionais de saúde estejam “exatamente na situação-limite de ter de escolher entre quem salvar”. E também disse a situação de medicina de catástrofe ainda não chegou, ressalvando que “estamos próximos de que tal aconteça”.

Marta Temido apelou à doação de sangue para melhorar as reservas dos hospitais portugueses e disse que está a ser tratado com fornecedores o abastecimento de mais oxigénio necessário devido ao afluxo de internamentos causado pela pandemia.

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