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Fed baixa taxa de juro em 25 pontos base

A decisão da Fed foi de encontro ao esperado pelo mercado. Os analistas atribuíam uma chance de 96% existir hoje uma baixa de 25 pontos base e de 40% para um corte de 50 pontos base.
17 Setembro 2025, 19h05

A Reserva Federal norte-americana (Fed) decidiu baixar esta quarta-feira as taxas de juro em 25 pontos base, para o intervalo entre os 4%-4,25%. Trata-se da primeira redução em nove meses [a última tinha sido em dezembro de 2024].

A decisão da Fed foi de encontro ao esperado pelo mercado. Os analistas atribuíam uma chance de 96% existir hoje uma baixa de 25 pontos base e de 40% para um corte de 50 pontos base.

Em comunicado a Fed afirma que “os indicadores recentes sugerem que o crescimento da atividade económica moderou-se no primeiro semestre do ano. O aumento do emprego abrandou e a taxa de desemprego subiu ligeiramente, mas continua baixa. A inflação subiu e permanece um pouco elevada”. Apesar da descida a Fed revela que a incerteza “quanto às perspetivas económicas continua elevada”.

A votação não foi unânime, com o recente chegado e escolhido por Donald Trump, o governador Stephen Miran, votar a favor de uma descida de 50 pontos base.

Ainda antes da reunião da Fed existiam dois fatores que dominavam a análise dos mercados. Um deles residia no mercado de trabalho e o outro na inflação.

O presidente da Fed, Jerome Powell, afirmou que “enquanto a taxa de desemprego permaneça baixa, teve uma ligeira subida. O crescimento de emprego desacelerou e a inflação subiu ligeiramente e permanece acima da nossa meta de 2%”.  Ao mesmo tempo que a inflação aumentou os indicadores revelam que o “PIB cresceu a um ritmo de 1,5% no primeiro semestre do ano, abaixo dos 2,5% do ano passado. Esta moderação de crescimento reflete uma desaceleração nos gastos do consumidor”.

Para o presidente da Fed o impacto das tarifas na economia norte-americana ainda continua incerto. “Mudanças nas políticas governamentais continuam a evoluir, e os seus efeitos sobre a economia permanecem incertos. Tarifas mais altas começaram a elevar os preços de algumas categorias de bens, mas os efeitos gerais sobre a atividade económica e a inflação ainda não foram observados. Um cenário base razoável é que os efeitos sobre a inflação vão ser relativamente curtos, uma mudança pontual no nível dos preços. Mas também é possível que os efeitos inflacionários sejam mais persistentes”.

Na opinião do Powell os riscos de uma inflação alta persistente diminuíram desde abril.

Questionado sobre a independência da Fed, Powell afirma que “está profundamente enraizado na nossa cultura fazer o nosso trabalho com base nos dados recebidos e nunca considerar mais nada”.

A AllianzGI considerava que a “desaceleração” do mercado de trabalho poderia sustentar esta baixa dos juros, e adiantava também que o único fator que poderia modificar estas expetativas seriam “surpresas ascendentes” sustentadas na inflação.

“Neste momento, o banco central encontra-se numa encruzilhada: pressionado pela administração Trump para baixar os juros, numa altura em que, apesar do abrandamento registado no mercado de trabalho, a inflação se mantém persistentemente acima dos níveis considerados ideais”, adiantou o presidente da ActivTrades Europe, Ricardo Evangelista, em antecipação da reunião da Fed, ao JE.

“Assim, apesar da pressão política da administração Trump e da fragilidade do mercado laboral, a Fed deverá optar por um corte de 25 pb, equilibrando a necessidade de apoiar a economia com o foco ainda no combate à inflação”, antecipou o economista sénior do Banco Carregosa, Paulo Monteiro Rosa, ao JE.

Este corte na taxa de juro pela Fed vem corresponder também à reivindicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que apelou por diversas vezes a que o presidente da Fed, Jerome Powell, baixasse as taxas de juro.

Trump utilizou a rede social Social Truth para defender que o presidente da Fed “deve cortar [as taxas de juro]” e mais “do que tinha pensado”.

O presidente norte-americano disse ainda, nas redes sociais, que a Europa já teve “10 cortes, e os Estados Unidos zero. Sem inflação, uma grande economia. Deveríamos estar pelo menos dois ou três pontos percentuais mais baixo”.

Trump indicou também o estado em que se encontra o mercado residencial como outro dos motivos para que o presidente do banco central norte-americano baixasse as taxas de juro. “Alguém pode informar Jerome ‘Too Late’ Powell (Jerome ‘Demasiado Tarde’ Powell na tradução portuguesa) que ele está a magoar a indústria habitacional, de forma muito grave? As pessoas não conseguem uma hipoteca por causa de Jerome Powell. Não existe inflação, e todos os sinais apontam para um grande corte nas taxas de juro”, disse o presidente norte-americano, recorrendo novamente às redes sociais.

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