Ferreira Leite defende que apoios sociais “perpetuam” a pobreza e “arrastam as gerações seguintes” (com áudio)

No seu espaço habitual de comentário na TVI24, Manuela Ferreira Leite considerou “muito fácil e popular” tentar resolver a pobreza através de mais apoios sociais, mas que isso só serve para “distrair” e “arrastar” o problema às gerações seguintes.

Cristina Bernardo

A social-democrata e ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite defendeu esta quinta-feira que os apoios sociais “perpetuam” a pobreza. No seu espaço habitual de comentário na TVI24, Manuela Ferreira Leite considerou “muito fácil e popular” tentar resolver a pobreza através de mais apoios sociais, mas que isso só serve para “distrair” e “arrastar” o problema às gerações seguintes.

“É muito fácil e muito popular tentarmos resolver os problemas através do pedido de apoios sociais, porque ninguém é indiferente à ideia de que há pobreza e de que deve haver apoios sociais. Isto é fácil de dizer, é fácil de pedir, é fácil de fazer política na base dos apoios sociais, só que é algo que não resolve o problema, pelo contrário, perpetua-o, porque arrasta as gerações seguintes na mesma base”, afirmou.

Para a social-democrata, é preciso fazer uma distinção “entre o que é pobreza conjuntural e pobreza estrutural”. No caso da pobreza conjuntural, que “sucede por ter havido uma pandemia, um incêndio, situações em que, extemporaneamente, acontece algo nas famílias”, Manuel Ferreira Leite considera que “é evidente que se recorre e deve recorrer, tanto quanto possível, a apoios sociais a essas pessoas”.

Mas “não deve esta preocupação da pobreza conjuntural fazer esquecer uma realidade diversa, que é a pobreza estrutural, que conduz a que a pobreza se transfira por gerações”, defendeu. “É uma realidade que retira perspetivas de vida, elimina o chamado elevador social e leva a que as pessoas emigrem e vão procurar outros locais onde seja possível alterar esse seu estatuto de origem”, sustentou a ex-líder do PSD.

E acrescentou: “Não nos podemos distrair à conta dos apoios sociais de que estamos a ajudar a resolver o problema da pobreza, porque a pobreza estrutural pode ser agravada pelo facto de ser, de alguma forma, paralisada com apoios sociais e depois esquece-se que isso não tem futuro”.

Manuela Ferreira Leite considera que “a educação é o grande impulsionador do elevador social” e do combate à pobreza. “Temos de ter um sistema educativo forte que consiga ultrapassar as debilidades de algumas classes sociais”, disse, acrescentando que é preciso também “uma estrutura económica e empresarial que seja capaz de suportar salários mínimos, que sejam compatíveis com uma situação que não seja a de pobreza”.

Poucas horas antes das declarações da ex-ministra das Finanças, o pedido de fiscalização do Governo aos apoios sociais deu entrada no Tribunal Constitucional. Em causa está a contestação do Executivo socialista a três diplomas aprovados no Parlamento e promulgados pelo Presidente da República que, segundo o Governo, violam a lei-travão, que impede que os deputados aumentem a despesa ou diminuam a receita fora do Orçamento do Estado.

Ler mais
Recomendadas

Multinacionais querem uma “via verde” para o recurso ao ‘lay-off’ alegando a falta de componente, alertam sindicatos (com áudio)

Federação Intersindical alerta que são contraditórias as razões que estão na origem da falta de componentes destinados ao sector automóvel, à eletrónica de consumo e à produção de material elétrico. Fiequimetal pede a “rápida intervenção” do Governo para travar que uma  medida extraordinária, como é o lay-off, se torne numa espécie de “via verde” para as multinacionais.

Votar contra reforma das Forças Armadas? Seria “uma contradição muito grande”, diz Rui Rio (com áudio)

“Seria uma contradição muito grande do PSD dizer assim: nós há tantos anos que defendemos uma reforma neste sentido e agora porque ela é apresentada pelo Partido Socialista contradizemo-nos a nós mesmos e vamos votar contra só porque é do Partido Socialista, só porque não é do nosso governo”, defendeu, em declarações aos jornalistas, no Porto, onde visitou o Museu do Holocausto.

Sondagem. PSD com 21,7% das intenções de voto, percentagem mais baixa desde 2019 (com áudio)

Eduardo Cabrita é considerado o pior ministro do Governo, com a ministra da Saúde a ser considerada a melhor governante do Executivo, segundo a sondagem da “Intercampus” para o “Expresso”.
Comentários