Findas as reuniões do Infarmed, BE pede ao Parlamento fiscalização “rigorosa” da evolução da Covid-19

Os bloquistas destacaram a importância das sessões epidemiológicas do Infarmed para “consolidação de conhecimentos” e sublinharam que é necessário continuar a combater as causas económicas e sociais da doença.

Paulo Novais/LUSA

O Bloco de Esquerda (BE) quer que, com o fim das reuniões no Infarmed, a Assembleia da República passe a fiscalizar “de forma muito rigorosa” a evolução da pandemia e das políticas adotadas. Os bloquistas destacaram a importância das sessões epidemiológicas do Infarmed para “consolidação de conhecimentos” e sublinharam que é necessário continuar a combater as causas económicas e sociais da doença.

“Aceitando que estas reuniões tenham hoje chegado ao final de um ciclo, o BE entende que é muito importante que no Parlamento se continue a fiscalizar de forma muito rigorosa toda a evolução quer da pandemia, quer das políticas que tenham sido adotadas e que venham a ser adotadas”, afirmou o deputado José Manuel Pureza, à saída da décima e última reunião sobre a situação epidemiológica da Covid-19, que juntou especialistas e líderes políticos.

José Manuel Pureza vincou a importância das reuniões do Infarmed na “consolidação de um conhecimento que é a única forma de combater o eventual desânimo e o eventual alarme que possa aparecer”.

O deputado do BE deu ainda conta de que, atualmente, os dados do Infarmed mostram que os números de doentes infetados, internados e de óbitos estão “razoavelmente estabilizados”. Segundo os dados revelados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o tempo médio de internamento está “entre dez e 11 dias” e “entre os 17 e 19 dias” nos cuidados intensivos.

Num cenário mais pessimista, os dados revelam que, dos 338 casos diários novos, havia “um número de internados em média de 39 e um cálculo total de internados de 607 internamentos globais, 91 em cuidados intensivos”.

O BE acrescenta que, na reunião do Infarmed, foi ainda feita “menção à importância de determinantes económicas e sociais da doença” e chamou à atenção para “a importância dos movimentos pendulares da sobrelotação do alojamento e também da falta de alternativas para muita gente se não ir trabalhar para sobreviver”.

“É esta realidade que exige uma intervenção que vai além da saúde em sentido estrito. Precisamos de medidas que sejam de alcance socioeconómico, porque elas combatem eficazmente a pandemia”, enfatizou José Manuel Pureza.

José Manuel Pureza disse ainda que os dados do Infarmed deixam claro que, “em todo o país e, em especial na região de Lisboa e Vale do Tejo, estamos hoje a pagar caro por um desinvestimento de sucessivos Governo e responsáveis pelo exercício da profissão médica na formação de quadros em saúde pública”.

“É agora que é fundamental inverter esse caminho dotando o país de quadros em saúde pública que, no futuro mais próximo possível, possam robustecer a capacidade de resposta do país”, referiu, acrescentando ainda que são necessárias “instruções vinculativas” por parte do Governo para os operadores privados, de forma evitar “a inconsistência dos dados sobre casos reportados em relatórios privados”.

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