FMI revê em baixa projeção de crescimento da zona euro, mas mantém a de Portugal

A instituição liderada por Christine Lagarde manteve inalteradas as previsões para o crescimento da economia portuguesa. A manutenção dos valores não é surpreendente, dado que a última revisão tinha sido divulgada há menos de um mês.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a projeção para o crescimento económico da zona euro, no World Economic Outlook (WEO) publicado esta terça-feira. Os riscos, nomeadamente associados ao contágio da guerra comercial, pesaram na revisão. Ainda assim, as estimativas para Portugal mantiveram-se inalteradas.

A instituição liderada por Christine Lagarde antecipa que o produto interno bruto (PIB) da zona euro cresça 2% este ano, o que representa uma revisão em baixa de 0,2% face à última atualização, em julho. Para o próximo ano, o FMI aponta para 1,9%.

“Em 2018, os resultados mais fracos do que o esperado no primeiro semestre do ano levaram a revisões em baixa na zona euro e no Reino Unido”, explica o WEO, sublinhando que “em 2019, espera-se que as recentes medidas comerciais pesem sobre a atividade económica”. Este impacto será mais pronunciado para os EUA, mas a zona euro não irá escapar.

“Baixa produtividade e o envelhecimento populacional pesam fortemente nas perspetivas de crescimento a médio prazo das economias desenvolvidas”, alerta. “Na zona euro, as reformas estruturais atraíram muita discussão nos países individualmente, mas os progressos têm sido mistos”, diz, referindo que a Alemanha devia fomentar a produção, investimento, empreendedorismo e transformação digital ou que Itália tem de aprofundar as reformas laborais ou que Espanha precisa de um novo ímpeto para reduzir a segmentação.

Migrações e populismos entre os riscos europeus

O FMI refere que outros fatores penalizam o mundo, como a intensificação dos conflitos no Médio Oriente e África, que não terão apenas repercussões a nível doméstico, mas que poderão espoletar fluxos migratórios para a Europa, “potencialmente agravando as divisões políticas”.

“Em várias economias sistemicamente importantes, o declínio da confiança nas instituições nacionais e regionais pode aumentar o apelo de medidas políticas populistas, mas insustentáveis, que podem prejudicar a confiança, ameaçar a sustentabilidade a médio prazo e, no caso da Europa, minar a coesão regional”, diz.

“Além disso, muitos países continuam vulneráveis aos custos económicos e humanitários de eventos climáticos extremos e outros desastres naturais, com ramificações transnacionais potencialmente significativas por meio de fluxos migratórios”, acrescenta.

Projeção do PIB português fica igual, mas desemprego desce

A instituição liderada por Christine Lagarde manteve inalteradas as previsões para o crescimento da economia portuguesa. A manutenção dos valores não é surpreendente, dado que a última revisão tinha sido divulgada há menos de um mês.

A 13 de setembro, no relatório publicado ao abrigo do artigo IV, o FMI reviu em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa para os 2,3% este ano (da projeção anterior de 2,4%), alinhando-a com as previsões do Governo, inscritas no Programa de Estabilidade 2018-2022.

Nessa altura, o FMI sublinhou que espera que o crescimento da economia portuguesa “abrande do pico”, moderando gradualmente a médio prazo. No relatório divulgado esta terça feira, além de manter a estimativa de 2,3% para este ano, a instituição de Bretton Woods também deixou inalterada a previsão de uma expansão de 1,8,% para 2019. A confirmar a expetativa sobre uma gradual desaceleração, o FMI aponta para um intervalo mais longo, com a economia portuguesa vista a expandir apenas 1,4% em 2023.

Em relação ao desemprego no final de 2018, o World Economic Outlook apresenta uma revisão em baixa face ao relatório publicado em setembro: agora espera 7%, face aos anteriores 7,3%. Em 2019, a taxa do desemprego deverá continuar a recuar, para 6,7%.

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