Fracas taxas de vacinação com impacto económico negativo duradouro nos países mais pobres

Enquanto que a maioria dos países com altos e médios rendimentos regista mais de metade da população já imunizada contra a Covid-19, nos países mais pobres a taxa de vacinação é de 1,3%.

As fracas campanhas de vacinação vão afetar os países com menores rendimentos de forma significativa, alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS), esta quinta-feira, que estima que os prejuízos poderão chegar às dezenas de milhares de milhões de dólares uma vez que esta desigualdade no processo de imunização tem um “impacto duradouro e profundo na recuperação socioeconómica” destes países.

Segundo os dados mais recentes da OMS referentes a meados de julho, as nações mais ricas inocularam, em média, metade de sua população, em comparação com 1,3% nos países mais pobres. Caso a taxa de vacinação fosse igualmente avançada, o órgão de saúde pública mundial estima que as receitas do Produto Interno Bruno (PIB) destes países poderiam ter aumentado em mais de 38 mil milhões de dólares já este ano.

Além do difícil acesso às vacinas a estes países — que tem sido assegurado pelo programa mundial Covax —  a OMS denuncia também o custo elevado destes fármacos que podem colocar “uma enorme pressão sobre os frágeis sistemas de saúde” e prejudicar as imunizações de rotina e os serviços de saúde essenciais.

Dados da Unicef e da aliança de vacinas Gavi, citados pelo “Financial Times”, mostram que a despesa média anual per capita com saúde em países de baixos rendimentos chegam aos 41 milhões de dólares. Para proteger 70% dos seus cidadãos contra a Covid-19, as estimativas destas duas organizações apontam para um aumento de gastos na ordem dos 57%, enquanto que os países com maiores rendimentos teriam de reforçar os esforços em apenas 0,8%.

OMS avisa para “impacto prolongado” da pandemia na saúde mental mundial

Além deste alerta, a OMS avisou ainda que os confinamentos e os impactos na saúde e na economia da pandemia da Covid-19 terão um “impacto prolongado” na saúde mental mundial.

“Da ansiedade ligada à transmissão do vírus ao impacto psicológico dos confinamentos e do isolamento às consequências sobre o desemprego, as dificuldades financeiras e a exclusão social, toda a gente foi afectada de uma forma ou de outra”, lê-se num comunicado da OMS divulgado a propósito de uma reunião de ministros e responsáveis do sector da Saúde realizada em Atenas.

A OMS prevê “um impacto grande e prolongado” na saúde mental mundial.

“Estamos a falar de um componente-chave da nossa saúde. Requer acção imediata” dos governos, defendeu o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis na abertura do fórum que juntará ao longo de dois dias os ministros da região europeia da OMS, que inclui 53 países.

Mitsotakis pediu que se “fale abertamente da estigmatização que acompanha a saúde mental” perante uma dezena de ministros da saúde, com muitos outros a assistir por videoconferência.

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