França anuncia fim da operação militar no Sahel

Emmanuel Macron anunciou que a operação Barkhane, que envolve cerca de 5 mil militares franceses na região do Sahel, vai chegar ao fim e será substituída por outra em parceria com outros países.

O Presidente francês, Emmanuel Macron anunciou esta quinta-feira que a operação Barkhane, que envolve cerca de 5 mil militares franceses na região do Sahel, vai chegar ao fim e vai ser substituída por outra operação militar em parceria com outros países completamente dedicada à luta contra o terrorismo.

“A continuação da nossa participação na securitização do Sahel não se vai continuar a fazer num quadro constante”, anunciou hoje Emmanuel Macron, Presidente francês, durante uma conferência de imprensa que antecipou a reunião do G7 e da NATO nos próximos dias.

O Presidente disse que esta é uma decisão que está a ser estudada há um ano pelo Exército francês e que a retirada das tropas francesas será anunciada em detalhe até ao fim do mês de junho, assim como a operação militar em que a França participará apenas com apoio e formação às tropas dos países do Sahel.

“A presença durável, no quadro de operações exteriores da França não se pode substituir ao regresso dos Estados, dos seus serviços, da estabilidade política local e Às escolhas do Estados. Não podemos dar segurança a um Estado que cai em anomia porque os seus governantes decidem não se responsabilizar”, sublinhou o Presidente.

A operação Barkhane existe desde 2014, tendo começado com cerca de 3.000 militares, tendo sido expandida nos últimos sete anos para mais de 5.000 efetivos franceses. No entanto, Macron considera que tem havido um “fenómeno de usura” das forças francesas e que isso deve acabar

“Há um fenómeno de usura e um sentimento generalizado que deixou de fazer sentido estar lá. A França só está em África porque os países africanos pediram, mas a forma da nossa participação não é adaptada à realidade dos combates”, explicou.

Questionado se esta decisão está relacionada com a ascensão ao poder no Chade e no Mali, dois países que beneficiam atualmente do apoio militar francês, de duas figuras controversas, Macron recusou, mas deixa avisos.

“Não está ligado ao que se passa neste momento no Chade ou no Mali. Mas penso que a decisão que a CEEAC tomou de reconhecer golpista militar seis meses após lhe ter recusado quaisquer direitos, cria uma má jurisprudência para os africanos”, indicou.

Emmanuel Macron falava da decisão da da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) ter legitimado o novo governate do Mali, Assimi Goïta, após este ter deposto o Governo. No Chade, Mahamat Idriss Déby sucedeu ao pai tendo suspenso a Constituição e prometendo eleições daqui a 18 meses.

Segundo ainda o Presidente francês, esta transição para uma força de “apoio e cooperação” aos exércitos locais vai contar também com a parceria de outros países europeus e dos Estados Unidos.

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