Francisco Guerreiro: A vida do primeiro eurodeputado do PAN em Bruxelas

Em 2014 candidatou-se às eleições europeias pela primeira vez. Cinco anos depois, torna-se o primeiro eurodeputado eleito pelo PAN. Conheça o percurso de quem quer ver a Europa muito mais atenta ao clima e aos direitos dos animais.

É vegan, anda à procura de apartamento para alugar em Bruxelas, mas já lá esteve para falar com os Verdes sobre a entrada do PAN como novo membro da família política. Eleito deputado do Parlamento Europeu no domingo passado, Francisco Guerreiro é casado e tem duas filhas (uma de 11 anos, outra de dois meses e meio), mas a família ficará por Portugal – uma rotina para os próximos anos – e tentará visitá-las semanalmente. Tem ainda dois gatos e uma coelha de pecuária, todos adotados. Gosta de ler e viajar, aprecia atividades ao ar livre e, juntamente com a mulher, envolve-se sempre que pode em ações ambientais (recolha de lixo) em florestas e praias nacionais. “No próximo mês vou alugar casa. Depois, penso andar a pé ou de bicicleta. Também preciso de ver a rede de transportes públicos”, diz ao Jornal Económico.

Nascido no Alentejo, em Santiago do Cacém, mas a residir em Cascais, o dirigente nacional do PAN foi uma das grandes surpresas das eleições europeias de 2019. Licenciou-se em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Educação de Coimbra e trabalhou como analista de estudos de mercado e project leader para a Comissão Europeia até 2014. Francisco Guerreiro é militante do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) desde 2012, membro da comissão política nacional desde 2013 e coordenador da secretaria de comunicação desde 2014, tendo encabeçado a lista do partido à Câmara de Cascais nas últimas eleições autárquicas, em 2017. Acredita que na Europa poderá continuar “o trabalho de transformação social que o PAN, com apenas um deputado, tem alcançado na sociedade portuguesa”.

O novo eurodeputado diz que, com a sua eleição, a Europa terá uma “voz ecologista, que defende os direitos humanos e dos animais. “Para nós, não é uma surpresa. Foi um trabalho honesto e de propostas”, garantiu no domingo, nas primeiras palavras que dirigiu às dezenas de militantes que se juntaram na sede do partido, em Lisboa.

Francisco Guerreiro, de 34 anos, deseja uma “Europa nova, mais democrática e que priorize as alterações climáticas e defenda os direitos dos animais”. “Rompemos com o paradigma da direita e da esquerda, ao trabalhar para um novo paradigma. Seremos uma voz ecologista e que defende os direitos humanos”, assegurou.
Esta quarta-feira, acabado de chegar a Bruxelas, para completar o registo como eurodeputado e reunir-se com os Verdes europeus, fez uma declaração de intenções, assumindo “muito interesse” em integrar a Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu.

“A agricultura é uma área fundamental para as alterações climáticas – e muitas vezes não é falada – por causa do impacto da agropecuária, mas também por questões relacionadas com o bem-estar animal. Portanto, temos estas duas grandes componentes que achamos que ao nível dos eurodeputados portugueses não tem sido trabalhada, e achamos que é importante acrescentar este valor não só na componente ambiental, mas também na proteção dos direitos dos animais”, salientou.

Além disso, esclareceu que não quer fugir à lógica dos fundos, que tem sido a prioridade dos representantes portugueses no Parlamento Europeu na área da agricultura, mas sim tratá-los de “outra perspetiva”, nomeadamente a de redirecionar verbas para “outras culturas”, como “a produção de alimentos de modo biológico e extensivo”, o que o PAN considera ser “muito mais positivo do que cimentar e esbanjar dinheiro em indústrias poluentes, como a agropecuária tem sido”.

Ontem, Francisco Guerreiro já estava de regresso a Portugal. Voltará a Bruxelas na próxima semana para trabalhar. É o primeiro eurodeputado a ser eleito pelo PAN, partido que se estreou na corrida a Bruxelas nas últimas eleições europeias, em 2014. Nessa altura, ficou em sétimo lugar, com 56.363 votos, correspondentes a apenas 1,72%. Francisco era o terceiro da lista. Agora, graças a 168.501 eleitores (5,01%), irá sentar-se na bancada dos Verdes europeus.

Artigo originalmente publicado na edição do Jornal Económico nº 1991 de 31 de maio de 2019

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