Os fretes de navios petroleiros atingiram novos máximos com o escalar do conflito no Médio Oriente, o que significa custos a subir em toda a economia global, isto é, consumidores a pagarem mais por tudo.
Os valores para fretar um super-petroleiro (VLCC) com capacidade para transportar 2 milhões de barris de petróleo do Médio Oriente para a China (TD3) subiu para quase 424 mil dólares por dia, um novo recorde, segundo a “Reuters”.
E se a fábrica do mundo está a obter a sua energia a um preço mais caro, pode-se rapidamente concluir que os preços de inúmeros bens vão ser mais caros de produzir e no final os consumidores pagam a fatura mais elevada.
Também os preços diários dos fretes dos navios metaneiros, que transportam gás líquido, dispararam mais de 40% com a paragem de produção no Qatar.
Os fretes atlânticos subiram mais de 40% para mais de 61 mil dólares diários, com os fretes pacíficos a dispararem também mais de 40% para 41 mil dólares por dia.
Os fretes podem mesmo vir a disparar para mais de 100 mil dólares diários esta semana, com a procura a aumentar.
Os temporais registados em fevereiro também estão a ajudar à subida dos preços. “Vai haver uma competição muito forte por qualquer navio disponível”, disse Fraser Carson da Wood Mackenzie.
Os preços do gás natural na Europa para entrega em abril sobem hoje mais de 30% para 59 euros/MWh, com o barril de petróleo a ganhar mais de 6% para mais de 82 dólares.
A Guarda Revolucionária do Irão declarou na segunda-feira o encerramento do estreito de Ormuz. Os navios que incumprirem serão atacados.
“O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e a Marinha vão pegar fogo a esses navios”, disse Ebrahim Jabari responsável desta milícia citado pela “Reuters”.
Este é um ponto crucial para o setor energético global. Por dia, passa por aqui um quinto do petróleo consumido globalmente por este estreito, com origem na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irão e Kuwait, transportando crude, mas também gasóleo, gasolina, combustível para aviação.
O trânsito de navios no estreito de Ormuz caiu mais de 80% no domingo, um dia depois dos primeiros ataques dos EUA e Israel ao Irão. Cerca de 150 navios lançaram âncora e estacionaram na região à espera de desenvolvimentos para seguirem as suas viagens.
Dos 23 navios que atravessaram o estreito no domingo, um total de 21 estava a dirigir-se a leste, isto é, a sair da região do Golfo Pérsico. Dos 23 navios, nenhum transportava gás ou petróleo, segundo dados da Lloyd’s List Intelligence.
O estreito crucial para o setor energético global continua aberto à navegação, mas ninguém se quer arriscar a passar.
Afonso de Albuquerque e o seu exército combateram ferozmente no estreito de Ormuz há 500 anos, tendo conquistado a ilha de Ormuz, perdendo-a após uma traição dos seus homens, para voltar a conquistá-la anos mais tarde. As ruínas do Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz ainda lá continuam a vigiar o canal marítimo por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo todos os dias.
Por estes dias, há relatos que a Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana tem estado a transmitir mensagens via rádio para os navios a informar que o estreito está fechado, mas não há nenhuma declaração oficial por Teerão.
O fecho do estreito de Ormuz tem sido atingido graças a “táticas de medo e guerra psicológica”, segundo a Lloyd’s List Intelligence.
Entretanto, várias seguradoras marítimas estão a cancelar a cobertura para riscos de guerra em águas iranianas e do Golfo Pérsico, segundo a “Reuters”.
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