“Fuga de investidores” leva Navigator a cair a pique, perdendo mais de 18%

O desempenho da Navigator na praça nacional é uma reação às taxas anti-dumping colocadas pelos Estados Unidos, que aplicaram uma taxa anti-dumping de 37,34% retroativa ao à matéria-prima das papeleiras, também vendida pela portuguesa Navigator entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017.

As ações da Navigator desvalorizam 18,20% na praça lisboeta, para 4,08 euros, numa altura em que a empresa de pasta e papel poderá ver o lucro líquido deste ano reduzido em 45 milhões de euros e o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 66 milhões de euros, devido à atualização da taxa anti-dumping pelos Estados Unidos da América (EUA).

O desempenho da Navigator na praça nacional é uma reação às taxas anti-dumping colocadas pelos Estados Unidos. “Apesar da empresa portuguesa avançar com ‘reclamação’ aos EUA, enquanto não houver um fecho do tema, podemos continuar a assistir à fuga dos investidores da empresa”, explica a senior broker da XTB, Carla Maia Santos.

Os EUA decidiram aplicar uma taxa anti-dumping de 37,34% retroativa ao papel vendido pela portuguesa Navigator entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017. Durante esse período, a taxa provisória e sob revisão era de 0% pelo que a Navigator irá contestar a decisão, segundo anunciou em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), divulgado este fim de semana.

O receio de quebra nos cofres da Navigator é agora uma evidência, o que se reflete em bolsa. No início do ano uma ação papeleira valia 4,25 euros, sendo que a 13 junho a cotada estabeleceu um máximo histórico, ao colocar cada título a valer 5,98 euros. Apesar de, pelas 9h40, cada ação da navigator valer 4,08 euros, o mínimo do ano foi registado a 9 de fevereiro, quando os títulos da cotada valiam 4,02 euros. A Navigator segue com uma capitalização de mais de três mil milhões de euros.

Segundo as contas da própria empresa, à taxa de câmbio atual, este é o impacto estimado de uma decisão “intencional” com “o objetivo de aumentar a taxa final sobre vendas de papel Navigator para os EUA”. Na nota ao regulador do mercado, a empresa liderada por Diogo Rodrigues de Silveira informou que vai recorrer dessa decisão e interpor uma providência cautelar para impedir a Alfândega dos EUA de aplicar a nova taxa sobre as importações efetuadas durante o primeiro período de revisão.

No segundo trimestre deste ano, o lucro líquido da papeleira disparou 24,3%, em termos homólogos para 66,2 milhões de euros, beneficiando das subidas dos preços. “Importa referir que, apesar da manutenção das expectativas positivas para o crescimento das principais economias mundiais, em particular para a economia norte-americana e europeia, existe também uma crescente volatilidade nos mercados, fruto dos receios das potenciais consequências do aumento das tensões comerciais”, adiantou a Navigator, aquando da divulgação dos seus últimos resultados e contas.

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