A nova plataforma petrolífera da Galp só deverá atingir 100% de produção em 2027, prevê a empresa. O navio-plataforma na área de Bacalhau no pré-sal da Bacia de Santos vai estar a produzir então 220 mil barris diários, com 40 mil destinados para a Galp.
“Não esperamos atingir plateau total até 2027. Quando atingirmos serão 40 mil barris diários. Se o Brent aguentar à volta dos 70 dólares, isto será aproximadamente 400 milhões de ‘cash flow’ por ano”, disse hoje a co-CEO Maria João Carioca numa chamada com analistas onde apresentou um lucro recorde no terceiro trimestre (ler segundo texto infra).
A executiva apontou que a nova plataforma deverá dar uma fraca contribuição para a produção da companhia este ano. “A contribuição ainda é muito lenta, mas o que estamos a ver em termos de operações atuais é positivo”. Esta área conta com mil milhões de barris de reservas.
O tema da Namíbia também foi abordado na chamada, com Maria João Carioca a apontar que “ainda é muito cedo” para falar sobre qual será a estrutura do acordo, mencionando que uma hipótese será uma eventual “troca de ativos” com quem comprar uma fatia de 40% na área de Mopane no mar da Namíbia.
Questionada sobre com quantas empresas estava a conversar, a gestora limitou-se a dizer que negoceia com “vários parceiros, é plural. Há condições para um bom progresso, temos estado a conversar com parceiros, a diferentes ritmos, mas são boas conversações até agora”. A Galp tem dito que prevê fechar este negócio até ao final deste ano, como afirmou recentemente o administrador Nuno Holbech Bastos.
Maria João Carioca disse que a companhia acredita que vai superar o seu ‘guidance’ em termos de EBITDA e de ‘cash flow’, apesar de não avançar com novos números, baseado nas “fortes performances”.
“Reconhecemos que a Namíbia permanece o aspeto mais relevante na história da ação da Galp. Olhando para as discussões bilaterais em cursos, estão a fazer bom progresso, e mantemos confiança nos nossos timings e em estabelecer uma forte parceria que vai permitir-nos acelerar e priorizar Mopane”, acrescentou.
Sobre os diferendos fiscais com Moçambique, depois de desencadeada a arbitragem internacional, o co-CEO João Diogo da Silva, por seu turno, disse que a empresa está a procurar ter uma “abordagem construtiva com Moçambique, onde estamos há mais de 65 anos. Já investimentos 1,1 mil milhões de euros em projetos de exploração. Estamos muito presentes no negócio de retalho. É um país que respeitamos totalmente. Contudo, neste caso, as estimativas do Governo (…) não têm em conta os investimentos feitos na exploração”.
A Galp diz que “não contesta as suas obrigações fiscais”, mas que precisa de abordar uma “interpretação incorreta e inconsistente da lei. E isso é algo que cria incerteza. Precisamos de combater isso para ajudar Moçambique”.
A empresa não reconheceu imparidades relativas a este tema, argumentando que pediu pareceres externos jurídicos sobre esta questão. “Acreditamos que não existem bases legais para sustentar esta questão. Estamos muito comprometidos em encontrar uma solução com o Governo. Espero que encontremos uma solução em breve”, defendeu.
Galp com lucros recorde no terceiro trimestre
A companhia anunciou hoje ter obtido um resultado líquido ajustado recorde no terceiro trimestre: 407 milhões de euros, mais 53% face a período homólogo.
“Metade dos resultados teve origem na produção de petróleo e gás no Brasil sendo que o crescimento foi suportado pelas atividades de aprovisionamento & trading de gás natural e a disponibilidade do aparelho refinador, que permitiu capturar a recuperação internacional das margens de refinação, mais do que compensando o impacto da desvalorização das cotações do crude”, segundo a companhia.
Já o EBTIDA trimestral subiu 11% para 911 milhões de euros, com o investimento a atingir 273 milhões, com dois terços a serem aplicados na “aceleração da construção, em Sines, das unidades de produção de hidrogénio verde de 100MW (pioneira a nível europeu) e de biocombustíveis avançados de baixo carbono (HVO/SAF), na modernização da rede de lojas e na expansão da rede de carregamento elétrico e da capacidade dos ativos de produção fotovoltaica”. O restante foi aplicado no projeto Bacalhau no Brasil, cuja produção arrancou em outubro, “através de uma das maiores e mais eficientes unidades flutuantes de produção offshore (FPSO) do mundo”.
Nos nove primeiros meses do ano, os lucros ajustados subiram 9% para 973 milhões de euros, com o EBITDA a cair 7% para 2,42 mil milhões de euros. O investimento atingiu 716 milhões até setembro.
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