Ganhos de 14% da Mota-Engil impulsionam PSI-20. Europa em alta e atenta às negociações do Brexit

A venda de 23% da Mota-Engil à chinesa CCCC impulsiona a praça portuguesa durante a manhã. No panorama europeu, Michael Barnier prepara-se para uma última tentativa de chegar a um acordo comercial com o Reino Unido para o Brexit. As duas partes tentam resolver as diferenças sobre pesca e política de concorrência.

Cristina Bernardo

O principal índice bolsista prossegue a manhã desta sexta-feira a negociar em alta, em linha com maioria das congéneres europeias, em dia de regresso de Wall Street à negociação após feriado, mas com encerramento mais cedo hoje, às 18h (hora de Lisboa), como é habitual na Black Friday.

Assim, o PSI-20 sobe 0,45% para 4.628,01 pontos impulsionado pelo salto de 13,62% para 1,7020 euros da Mota-Engil depois de a chinesa Communications Construction Company (CCCC) ter adquirido uma participação de 23% na construtora portuguesa por 169,4 milhões de euros. Segundo o comunicado da CMVM, a CCCC comprou 55 milhões de ações a um preço de 3,08 euros por ação.

A impulsionar as cotadas portuguesas está também a notícia de que as vendas a retalho em Portugal registaram uma descida homóloga de 0,7% em outubro, depois do crescimento de 0,5% em setembro. Assim, a retalhista Ibersol acompanha no ‘verde’ com uma subida de 2,78% para 5,18 euros, em linha com a Nos que ganha 2,18% para 3,19 euros e a Sonae que valoriza 1,26% para 0,6845 euros.

Em sentido contrário, a Pharol perde 3,25% para 0,1192 euros depois de ter anunciado que a operadora brasileira Oi, da qual é acionista, ter vendido, em processo competitivo, a UPI Torres por 1,067 mil milhões de reais (167,5 milhões de euros).

O BCP também não resiste à pressão, recuando 0,67% para 0,1180 euros a par com a Corticeira Amorim que desliza 0,58% para 10,20 euros.

“No pan-europeu nota para a rotura das conversações de fusão entre BBVA (+2,5%) e Sabadell (-12,7%), que levou o Caixabank BPI a recomendar a venda dos títulos do Sabadell e a cortar o preço alvo”, indica Ramiro Loureiro, analista de mercados do BCP investment banking. Ainda assim, o IBEX 35, em Madrid, negoceia em alta ligeira, subindo 0,35% para 8.133,00 pontos.

Segundo o analista, “nas utilities, a EDF ganha mais de 9% perante expectativas de acordo para regulação de preços de output nuclear em França”. Esta subida faz com que o CAC 40 ganhe 0,58% para 5.598,82 pontos.

O FTSE 100, em Londres, é o único índice que não acompanha as praças europeias em terreno positivo, perdendo 0,40% para 6.336,95 numa altura em que Michael Barnier, principal negociador para o Brexit, se prepara para uma última tentativa de chegar a um acordo comercial com o Reino Unido. As duas partes tentam resolver as diferenças sobre pesca e política de concorrência.

Faltando apenas cinco semanas para o Reino Unido sair totalmente da órbita da União Europeia, a 31 de dezembro, ambas as partes pedem que o outro ceda e se comprometa, para evitar um final tumultuoso para a crise do “Brexit” que dura há cinco anos. As negociações frente-a-frente são retomadas depois de um hiato de uma semana, devido a um caso de Covid-19 na equipa de Barnier, que teve que cumprir quarentena.

 

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