GoParity lança criptomoeda em Portugal que recompensa produção de energia solar

Produtores de energia solar podem receber as novas criptomoedas SolarCoin e trocá-las por bitcoins ou euros. O projeto é da fundação internacional com o mesmo nome da criptomoeda e chegou agora a Portugal pela mão da GoParity.

Chegou a Portugal a SolarCoin, uma criptomoeda que pretende incentivar e recompensar o investimento em energia solar. Criada pela fundação internacional SolarCoin Fundation em 2014, começou a ser distribuída em Portugal, bem como nos restantes países de língua oficial portuguesa, no mês passado, pela plataforma de crowdfunding sustentável e membro da fundação, GoParity.

“A SolarCoin lançou esta criptomoeda para contribuir para o investimento em energia solar”, explicou Nuno Brito Jorge, co-fundador da GoParity, ao Jornal Económico.

É um ativo global e descentralizado com base na tecnologia blockchain, tal como as restantes criptomoedas, mas “ao contrário das criptomoedas tradicionais, funciona como através de um sistema de incentivos”. Brito Jorge acrescentou que “qualquer produtor de energia solar em Portugal pode falar com a GoParity e pedir SolarCoins”.

Produtores de energia solar fotovoltaica ou de usinas solares concentradas podem receber uma SolarCoin por cada Megawatt-hora (MWh) produzido, sendo que receber a criptomoeda pode acumular com o retorno de venda da eletricidade à rede.

SolarCoins podem ser trocadas por bitcoin ou euros

Para receber as criptomoedas é necessário criar uma carteira, numa plataforma compatível com as SolarCoins. O produtor ou investidor tem ainda de se inscrever na plataforma e pedir os ativos. Pode, depois, guardar para esperar que valorizem, doá-las à caridade (como o projeto SolarAid que promove a criação de infraestruturas elétricas em África) ou trocá-las.

“Quem não quiser ficar com a SolarCoin pode trocá-la por bitcoins, dólares, euros…”, explicou. A SolarCoin está presenta nas principais plataformas de exchange, como a Coinbase, e o valor de cada criptomoeda negoceia nos 0,0966 dólares (0,083 euros). A capitalização de mercado ultrapassa os 4,3 milhões dólares (equivalente a cerca de 3,7 milhões de euros ou 588 bitcoins).

“Hoje está a valer 10 cents cada SolarCoin, em janeiro valia 1,6 euros. A título de curiosidade, se fosse imediatamente convertido em euros, corresponderia a um bónus de cerca 0,15% na remuneração”, explica.

A mineração de outras moedas digitais com na blockchain está associada ao alto consumo de energia, o que é uma preocupação para a fundação. Por isso, a SolarCoin minera os ativos através da produção de energia renovável, sendo mais eficiente em termos de energia utilizada. A GoParity não participa na mineração já que esta é realizada de forma centralizada na fundação e, posteriormente, atribuída aos parceiros que a distribuem.

Cerâmica de Pegões vai ser o primeiro projeto a pagar em SolarCoins

A par da atribuição de SolarCoins aos produtores de energia solar, a GoParity pretende ainda promover a partilha de criptomoedas entre os investidores da plataforma de empréstimos sustentáveis. “Os investidores passam a ter um duplo retorno – do investimento e através da SolarCoin. A grande novidade é que a Cerâmina de Pegões vai ser o primeiro projeto a pagar aos investidores em SolarCoins”, anuncia o co-fundador ao Jornal Económico.

O projeto da única produtora de tijolos da margem sul do Tejo, a Cerâmica Pegões, no Montijo, pretende ser o maior de crowdfunding de energias renováveis em Portugal.

O objetivo é angariar 275.000 euros para a empresa, criada em 1957, investir na eficiência energética através da instalação de um sistema solar fotovoltaico de 250 kWp para consumo próprio. Do total, já foi conseguidos 21,6%, sendo que a GoParity anunciou esperar a entrada de um investimento financeiro alemão com mais 100.000 euros.

Projeto vai render juro de 4,5% e 1,64 SolarCoins ao ano

O investimento mínimo no projeto é de 50 euros, oferece uma taxa anual nominal bruta de 4,5%, a duração é de oito anos e os pagamentos de capital e juros são mensais.

“A central solar da Cerâmica de Pegões vai gerar 410 MWh por ano de eletricidade, ou seja, terá direto a receber 410 SolarCoins por ano”, explicou Brito Jorge. “Destas 40% serão para distribuir pelos investidores da GoParity (que optarem por isso), ou seja, 164 SolarCoins para distribuir”.

Assim, se um investidor aplicou 2.750 euros, quer dizer que aplicou 1% do total do investimento realizado. Irá receber 1% das SolarCoins que serão distribuídas, ou seja, 1,64 SolarCoins todos os anos.

“Na globalidade, pelo seu investimento, irá receber 4,5% de juros por ano (TANB) na sua conta da GoParity, mais 1,64 SolarCoins na sua carteira de criptomoedas (ou carteira SolarCoin)”, acrescentou.

Ler mais
Recomendadas

Petróleo a caminho de acumular um aumento de quase 20% desde o início do ano

Depois de fechar 2018 em queda livre devido a receios de um excesso de oferta global e de uma desaceleração económica, os preços do petróleo nos EUA não param de subir desde início do ano. E atingiu o maior pico nos primeiros 13 dias úteis, desde janeiro de 2001, segundo dados compilados pela Bloomberg e citados pelo El Economista.

CMVM limita a venda do derivado CFD a investidores não profissionais

A CMVM segue a recomendação da ESMA e pôs um projeto de regulamento a consulta pública até 27 de fevereiro. Esta legislação surge porque segundo dados recolhidos em vários Estados-Membros há cerca de 74% a 89% dos investidores não profissionais que investem em CFDs perdem dinheiro. Sendo que em média, perdem entre 1.600 euros e 29.000 euros.

Contenção nos mercados, com olhos no ‘Brexit’ e nos EUA, pedem analistas

Especialistas consideram que 2019 será um ano melhor que 2018, mas é preciso cautela porque um ‘hard Brexit’ pode agitar os mercados e ter consequências que podem assemelhar-se às da falência do Lehman Brothers em 2008.
Comentários